
A poucos dias do início das restrições impostas pela legislação eleitoral, Brasília e Campo Grande promoveram uma verdadeira corrida contra o relógio para liberar emendas parlamentares. O resultado foi uma injeção de recursos que movimentou o cenário político sul-mato-grossense e reforçou o protagonismo dos parlamentares na destinação de verbas públicas às vésperas da campanha eleitoral de 2026.
No plano federal, a bancada de Mato Grosso do Sul recebeu R$ 311,27 milhões em emendas parlamentares pagas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O montante faz parte do pacote recorde de R$ 33,89 bilhões desembolsados pela União antes do início do defeso eleitoral, o maior volume já registrado para um período pré-eleitoral no país.
Os recursos contemplaram os 11 representantes do Estado no Congresso Nacional, independentemente do posicionamento político. Parlamentares da base do governo e da oposição receberam valores expressivos, evidenciando uma distribuição ampla em meio ao período que antecede as eleições gerais.
O senador Nelsinho Trad (PSD) liderou os repasses, com R$ 59,71 milhões liberados. Em seguida aparecem a senadora Soraya Thronicke (PSB), com R$ 51,21 milhões, e o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL), que recebeu R$ 33,41 milhões. Na outra ponta, a senadora Tereza Cristina (PP) foi a integrante da bancada que menos teve recursos efetivamente pagos, apesar de possuir valor maior empenhado, indicando que parte das verbas ainda aguarda liberação.
Enquanto isso, no âmbito estadual, o Governo de Mato Grosso do Sul também acelerou a execução das emendas parlamentares. Na última sexta-feira (3), foram liberados R$ 48,4 milhões, o equivalente a pouco mais da metade dos R$ 96 milhões previstos no orçamento para atender às indicações dos 24 deputados estaduais.
Nesta primeira etapa, os recursos priorizaram transferências fundo a fundo para custeio da saúde dos municípios. A Secretaria de Estado de Saúde concentrou o maior volume das liberações, enquanto a Educação apresentou o maior percentual de execução. A segunda parcela, de aproximadamente R$ 47,5 milhões, deverá ser paga somente após as eleições, quando cessarem as restrições previstas na legislação eleitoral.
A antecipação dos pagamentos ocorre porque, desde 4 de julho, União, estados e municípios passaram a enfrentar limitações para realizar transferências voluntárias de recursos públicos durante o período eleitoral. A legislação busca evitar que verbas governamentais sejam utilizadas para influenciar o eleitorado, embora permita exceções previstas em lei, como obras em andamento e situações de emergência.
Com bilhões de reais já distribuídos antes do início do defeso, a movimentação reforça o peso das emendas parlamentares como instrumento de articulação política e fortalecimento da presença dos parlamentares em suas bases eleitorais. Ao mesmo tempo, evidencia que o protagonismo sobre a execução do Orçamento permanece cada vez mais compartilhado entre Executivo e Legislativo, justamente no momento em que a disputa eleitoral começa a ganhar intensidade.