
A definição de quem comandará a Câmara Municipal de Campo Grande em 2027 e 2028 acabou colocando outro assunto no radar político da Capital: a própria sucessão da Prefeitura. Reeleito por unanimidade nesta quinta-feira (1º), o vereador Epaminondas Vicente Neto, o Papy (PSDB), permanecerá à frente do Legislativo no próximo biênio, em uma posição que ganha relevância diante do processo eleitoral que envolve a prefeita Adriane Lopes (PP) e a vice-prefeita Camilla Nascimento Oliveira.
Papy recebeu os votos dos 29 vereadores para continuar na presidência da Casa. A nova composição da Mesa Diretora terá ainda Dr. Lívio (União) como vice-presidente, Ana Portela (PL) na 1ª vice-presidência, André Salineiro (PL) na 2ª e Neto Santos na 3ª. Carlão ficará como 1º secretário, Luiza Ribeiro como 2ª e Ronilço Guerreiro como 3º secretário.
A eleição ocorre enquanto permanece em tramitação na Justiça Eleitoral um processo relacionado às eleições municipais de 2024. O caso envolve acusações de captação ilícita de sufrágio — a chamada compra de votos — atribuídas à chapa de Adriane e Camilla.
O Tribunal Superior Eleitoral é a instância responsável por analisar o recurso apresentado contra a decisão que manteve os mandatos. A legislação eleitoral prevê cassação em casos de compra de votos quando comprovada a prática ilícita. O próprio TSE estabelece que a caracterização da conduta depende de provas que demonstrem a oferta ou entrega de vantagem ao eleitor com finalidade de obter seu voto.
A eventual mudança no comando da Prefeitura, porém, não ocorre automaticamente com a simples existência de um processo judicial. Qualquer alteração dependerá de uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral e das regras aplicáveis ao caso.É justamente nesse ponto que a permanência de Papy na presidência da Câmara ganha peso institucional. Em uma eventual situação de vacância simultânea dos cargos de prefeito e vice-prefeito, o presidente do Legislativo municipal pode ser chamado a exercer o comando do Executivo, conforme as regras previstas na legislação municipal.
Assim, a escolha feita pelos vereadores nesta quinta-feira não representa apenas a definição administrativa de quem comandará a Câmara no próximo biênio. Ela também mantém Papy na posição institucional que poderá ter importância caso ocorram mudanças no comando do Executivo municipal.
A situação de Adriane e Camilla está relacionada a investigações sobre possíveis irregularidades nas eleições de 2024. Em junho, a Polícia Federal deflagrou a Operação Suffragium para apurar suspeitas envolvendo compra de votos e movimentações financeiras relacionadas ao pleito.É importante destacar que investigação e processo eleitoral não significam, por si só, perda de mandato. A eventual cassação depende de decisão judicial e da análise das provas apresentadas nos autos. O TSE ressalta que a condenação por captação ilícita de sufrágio exige comprovação consistente da prática.
Outro procedimento envolvendo recursos públicos do município também está sob investigação da Polícia Federal. Em agosto, a corporação deflagrou a Operação Presciência para apurar possíveis irregularidades na aplicação de recursos do regime próprio de previdência de Campo Grande.
A nova Mesa Diretora eleita nesta quinta-feira terá mandato de dois anos e assumirá oficialmente em 1º de janeiro de 2027.
Além da presidência de Papy, a composição reúne vereadores de diferentes grupos políticos e mantém nomes que já ocupam posições de destaque no Legislativo. Dr. Lívio será o vice-presidente, enquanto Ana Portela, André Salineiro e Neto Santos ocuparão as demais vice-presidências.
A escolha encerra uma disputa institucional que precisou ser refeita após questionamentos judiciais sobre a eleição antecipada da Mesa para o segundo biênio. Com a nova votação, a Câmara definiu oficialmente quem estará no comando da Casa durante os dois últimos anos da atual legislatura.
Com Papy confirmado na presidência, a Câmara passa a 2027 não apenas com uma nova composição administrativa, mas também com o presidente do Legislativo mantido na posição que integra a linha de sucessão municipal — em um cenário no qual o futuro político da Prefeitura ainda depende das decisões da Justiça Eleitoral.