Terça, 06 de Outubro de 2026

PM de MS passa a monitorar vítimas de violência por aplicativo

Sistema cria histórico digital de cada caso, obriga policiais a registrar fiscalizações em até 24 horas e permite acompanhar de forma mais integrada o cumprimento das medidas protetivas

06/10/2026 às 15h00
Por: Tatiana Lemes
Compartilhe:
Foto: Divulgação/TJMS
Foto: Divulgação/TJMS

Uma visita policial que identifica uma mudança no comportamento do agressor ou uma nova situação de risco poderá chegar mais rapidamente ao conhecimento das autoridades em Mato Grosso do Sul. A Polícia Militar passou a regulamentar o uso do Conecta Promuse, sistema que digitaliza o acompanhamento de mulheres protegidas por medidas protetivas e reúne em um único ambiente informações que antes dependiam de registros separados.

A regulamentação foi publicada nesta terça-feira (6) no Diário Oficial do Estado e já está em vigor. Com a nova regra, as equipes do Programa Mulher Segura (Promuse) deverão registrar na plataforma os atendimentos, visitas e fiscalizações realizados durante o acompanhamento das vítimas.

A mudança ganha importância porque o sistema não funciona apenas como um banco de registros. A ferramenta foi criada para aproximar a atuação da Polícia Militar do Judiciário. Relatórios produzidos durante as fiscalizações podem ser encaminhados diretamente aos processos de medidas protetivas, permitindo que magistrados tenham acesso mais rápido a informações sobre a situação da vítima.

Na prática, uma fiscalização deixa de ser apenas uma visita registrada pela equipe policial e passa a alimentar um histórico eletrônico do caso. Informações sobre atendimentos, acompanhamento, medidas protetivas e documentos podem ser reunidas na plataforma, facilitando a continuidade do trabalho quando novas equipes precisarem atuar naquela ocorrência.

Prazo para registrar fiscalização

A nova regulamentação também impõe uma rotina mais rígida aos policiais. O registro deverá ser feito logo após a atividade ou, em situações excepcionais, no prazo máximo de 24 horas.

Documentos, fotografias e outros elementos relacionados ao atendimento poderão ser anexados ao sistema. E a falta de internet não deverá impedir o lançamento das informações: o aplicativo permite que os dados sejam registrados offline e sincronizados posteriormente.

Esse recurso é especialmente relevante para o atendimento no interior do Estado, onde a conexão pode ser instável. O próprio sistema foi desenvolvido para continuar funcionando sem internet e transmitir os dados assim que o aparelho voltar a ter sinal.

O alcance da ferramenta também chama atenção pelos números do programa. No primeiro semestre de 2026, o Promuse recebeu 4.003 medidas protetivas de urgência para acompanhamento, realizou 14.002 atendimentos de fiscalização e fez 1.230 visitas técnicas. O programa já atua em mais de 40 municípios.

Dados das vítimas terão acesso controlado

Como o sistema concentra informações sobre mulheres em situação de violência, a regulamentação estabelece regras específicas para proteger os dados.

Cada policial terá acesso individual, com credenciais próprias e permissões relacionadas à função exercida. Informações dos casos não poderão ser compartilhadas livremente e o acesso ficará limitado aos profissionais autorizados e aos órgãos competentes, dentro das hipóteses previstas em lei.

O uso indevido dos dados, o compartilhamento de senhas e a divulgação de informações sigilosas poderão resultar em responsabilização administrativa, civil e criminal.

A ferramenta passa a fazer parte de uma estrutura que busca diminuir o intervalo entre a identificação de uma situação de risco e a resposta do poder público. O Conecta Promuse já havia sido apresentado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul como uma ferramenta para dar mais agilidade à fiscalização das medidas protetivas e permitir que informações atualizadas cheguem aos processos judiciais.

O Promuse, por sua vez, tem entre suas principais funções justamente fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas, fazer visitas às vítimas e articular o atendimento com a rede de proteção.

Com a regulamentação, a Polícia Militar transforma esse acompanhamento em uma rotina digital padronizada. A expectativa é que a tecnologia ajude a identificar com maior rapidez mudanças na situação das vítimas e eventuais descumprimentos das determinações judiciais — um fator decisivo em casos nos quais o risco pode mudar de um dia para o outro.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários