Sábado, 28 de Fevereiro de 2026
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Moraes estabelece prazo de 48h para Bolsonaro explicar visita à embaixada da Hungria

O ministro determinou a apreensão do passaporte do ex-presidente, proibindo-o de deixar o país

26/03/2024 às 08h29
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu a Jair Bolsonaro, ex-presidente, um prazo de 48 horas para explicar a razão de sua permanência de duas noites na embaixada da Hungria em Brasília.

Moraes atua como relator do inquérito que investiga Bolsonaro, políticos e militares por suposta tentativa de golpe de Estado. Como parte dessa investigação, em 8 de fevereiro, o ministro determinou a apreensão do passaporte do ex-presidente, proibindo-o de deixar o país.

Conforme reportado pelo jornal The New York Times, nos dias 12 e 14 de fevereiro, Bolsonaro esteve hospedado na embaixada da Hungria, como divulgado por imagens das câmeras de segurança.

De acordo com o direito internacional, as embaixadas são consideradas territórios invioláveis, o que significa que Bolsonaro só poderia ser acessado por agentes brasileiros em caso de uma nova operação, com o consentimento do governo húngaro.

Bolsonaro tem proximidade política e ideológica com o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, um político de direita. Durante seu mandato, Bolsonaro chegou a se referir a Orbán como "irmão".

A defesa do ex-presidente reconheceu a estadia de Bolsonaro na embaixada da Hungria.

Em comunicado à imprensa, os advogados do ex-presidente afirmaram que ele "permaneceu dois dias hospedado na embaixada da Hungria em Brasília para manter contatos com autoridades do país amigo" e que, durante esse período, o ex-presidente "conversou com diversas autoridades húngaras, atualizando os cenários políticos das duas nações".

Posteriormente, após participar de um evento no Centro de São Paulo, Bolsonaro foi abordado por jornalistas em relação ao caso. "Por acaso, dormir na embaixada, conversar com o embaixador, há algum crime nisso?", indagou o ex-presidente.

Embaixador

Após a divulgação da estadia de Bolsonaro na embaixada, o Ministério das Relações Exteriores, popularmente conhecido como Palácio do Itamaraty, programou uma reunião para esta segunda-feira com o embaixador da Hungria no Brasil, Miklós Halmai.

Halmai se reuniu com Maria Luisa Escorel, que é a titular da Secretaria de Europa e América do Norte. Além disso, o Palácio do Planalto foi informado sobre o encontro.

Em termos diplomáticos, convocar um embaixador para uma reunião pode ter diferentes significados, dependendo do contexto. No caso específico, o Brasil procurava obter informações claras e detalhadas sobre a visita de Bolsonaro à embaixada.

A decisão do governo de não designar o presidente Lula ou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para convocar o embaixador diminui o peso diplomático da ação.

 

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