Sexta, 02 de Janeiro de 2026

Governo Lula propõe redução do Abono Salarial a partir de 2026 e gera controvérsia nas vésperas do ano eleitoral

Mudança visa economizar R$ 18,1 bilhões até 2030, mas prejudica trabalhadores que recebem até 2 anos mínimos, com novas regras para os próximos anos

09/12/2024 às 11h23
Por: Tatiana Lemes
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou uma proposta polêmica que visa retirar o abono salarial de trabalhadores que recebem até 2 anos mínimos de trabalho a partir de 2026, ano eleitoral. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi encaminhada ao Congresso e aguarda aprovação, com uma previsão de economia de R$ 18,1 bilhões até 2030, conforme estimativas do governo.

Atualmente, o abono salarial é pago aos trabalhadores que ganham até 2 salários mínimos, com valor máximo de 1 salário mínimo, variando de acordo com o tempo de trabalho no ano. O benefício, que contempla tanto trabalhadores da iniciativa privada quanto servidores públicos, está vinculado ao Programa de Integração Social (PIS) e ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). A proposta do governo, no entanto, pretende reduzir o benefício, limitando-o a até 1,5 salário mínimo, com uma transição gradual que se estenderia até 2035.

De acordo com a equipe econômica, isso resultará em uma mudança em uma economia de R$ 18,1 bilhões até 2030, mas também afetará milhões de trabalhadores. A proposta sugere que o pagamento do abono salarial será ajustado com base no salário mínimo de cada ano, com a regra de transição indo de 2 salários mínimos em 2025 até 1,5 salário mínimo em 2035. A atualização será feita pela inflação, enquanto o pagamento O salário mínimo terá um reajuste maior, o que, segundo o governo, tornará o abono menos acessível à população.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, argumentou que o abono salarial “perdeu a sua razão de ser” devido à criação de outros programas sociais mais abrangentes. Ele defendeu a medida, explicando que o aumento do salário mínimo, superior à inflação, levaria ao ajuste progressivo até atingir 1,5 salário mínimo. Haddad afirmou que, quando esse valor for atingido, a regra atual será retomada, garantindo que nenhum trabalhador que receba R$ 2.640 seja prejudicado.

A medida gerou reações negativas, especialmente em um ano eleitoral, quando o impacto sobre uma população mais vulnerável pode ser mais sincero. Os gastos com o abono aumentados nos últimos anos, passando de R$ 25,6 bilhões em 2023 para R$ 28 bilhões em 2024, com previsão de superar os R$ 30 bilhões em 2025, o que justifica a tentativa do governo de reduzir os custos com o programa.

A proposta ainda precisa passar pelo Congresso, onde enfrentará discussões acaloradas, especialmente considerando o impacto social que ela pode ter em um cenário de fragilidade econômica para muitos brasileiros. A medida pode ser vista como uma tentativa de controle dos gastos públicos, mas ao mesmo tempo levanta questões sobre a capacidade do governo em garantir os direitos sociais da população mais necessária.

Receba as principais notícias do Brasil pelo WhatsApp. Clique aqui para entrar na lista VIP do WK Notícias e acesse nossas redes sociais.

*Com informações Poder 360

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro
Política Há 1 mês Em Brasil

Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro

A manutenção da prisão preventiva de Jair Bolsonaro expôs um movimento preocupante: a substituição de fatos por suposições como base para decisões judiciais. Mesmo após esclarecer tecnicamente a questão da tornozeleira e negar qualquer intenção de fuga, a audiência de custódia tratou cenários hipotéticos como verdades consolidadas. O resultado é uma medida extrema sustentada mais pelo ambiente político e midiático do que por elementos concretos.
A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro
Política Há 1 mês Em Brasil

A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro

Enquanto manchetes repetem uma versão simplificada, os documentos, a cronologia e o silêncio sobre relações sensíveis revelam que a tornozeleira pode ter sido apenas o álibi conveniente para uma decisão já tomada.
O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?
Política Há 1 mês Em Brasil

O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?

Enquanto o debate nacional se concentra na tornozeleira de Bolsonaro, relações profissionais sensíveis entre parentes do ministro do STF e um grande banqueiro seguem intocadas. É apenas coincidência — ou parte de uma cortina de fumaça muito conveniente?
 Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.
BANCO MASTER Há 1 mês Em Brasil

Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.

Após a prisão do controlador do Banco Master e a liquidação da instituição pelo Banco Central, veio à tona que o ex-presidente Michel Temer foi contratado pelo banco para tentar negociar uma solução com o BC. O escândalo levou ao afastamento da cúpula do BRB, alimentou pedidos de CPI e pode ampliar o desgaste político para Celina Leão e Ibaneis Rocha no DF.