Sexta, 02 de Janeiro de 2026

Autoritarismo em foco: Moraes usa ameaça e intimidação contra Mauro Cid

Ministro do STF extrapola limites e pressionou delator com ameaça à família em audiência sobre colaboração premiada

20/02/2025 às 12h20 Atualizada em 26/03/2025 às 07h20
Por: Tatiana Lemes
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A condução da audiência de colaboração premiada de Mauro Cid pelo ministro Alexandre de Moraes, no dia 21 de novembro de 2024, escancarou uma postura autoritária e questionável que coloca em xeque a imparcialidade da Justiça. Durante o depoimento, o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) foi ameaçado de prisão caso não revelasse informações que Moraes julgava pertinentes, em um claro exercício de intimidação.

A ameaça não se restringiu ao próprio Cid. Moraes foi além, alertando que uma eventual revogação do acordo de colaboração poderia implicar na perda de benefícios aos familiares do delator, incluindo seu pai, esposa e filha maior de idade. Uma justificativa? Supostas omissões em depoimentos sobre um alegado plano, chamado “Punhal Verde e Amarelo”, que teria como objetivo atentar contra a vida do presidente Lula (PT), do vice Geraldo Alckmin (PSB) e do próprio Moraes.

Limites ultrapassados

A condução do ministro é alvo de diversas críticas. Em vez de manter a serenidade esperada de um magistrado, Moraes optou por uma postura agressiva e, segundo alguns especialistas, desproporcional. O uso de ameaças diretas contra Cid e sua família levanta questionamentos sobre os limites éticos e legais de sua atuação.

“Se as omissões não forem esclarecidas, haverá a decretação de prisão e a revogação dos benefícios, inclusive da sua família”, declarou Moraes, numa fala que mais se assemelha a uma coação do que à aplicação de Justiça.

O que deveria ser um processo transparente, guiado pela busca da verdade, acabou se transformando em um espetáculo de imposição de poder, com Moraes conduzindo a audiência publicamente e reforçando sua autoridade de forma ostensiva.

A mudança de versão de Cid

Diante da pressão, Mauro Cid mudou sua versão dos fatos, negando participação em qualquer planejamento de golpe de Estado. Alegou que as reuniões mencionadas pela Polícia Federal refletiram apenas insatisfações políticas, sem articulações concretas. Contudo, a mudança no depoimento levanta dúvidas sobre a legitimidade de suas declarações e sobre o impacto real da pressão exercida por Moraes. Os críticos argumentam que a coerção pode ter influenciado o relato do delator, comprometendo a espontaneidade e a veracidade de suas informações. Além disso, a conduta do ministro suscita preocupações sobre a imparcialidade do processo e o uso da colaboração premiada como ferramenta de intimidação, em vez de instrumento legítimo para obtenção da verdade.

Receba as principais notícias do Brasil pelo WhatsApp. Clique aqui para entrar na lista VIP do WK Notícias e siga nossas redes sociais. 

*Com informações Metrópoles

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro
Política Há 1 mês Em Brasil

Quando a Justiça abandona os fatos: audiência de custódia transforma hipóteses em provas contra Bolsonaro

A manutenção da prisão preventiva de Jair Bolsonaro expôs um movimento preocupante: a substituição de fatos por suposições como base para decisões judiciais. Mesmo após esclarecer tecnicamente a questão da tornozeleira e negar qualquer intenção de fuga, a audiência de custódia tratou cenários hipotéticos como verdades consolidadas. O resultado é uma medida extrema sustentada mais pelo ambiente político e midiático do que por elementos concretos.
A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro
Política Há 1 mês Em Brasil

A Cortina de Fumaça da Tornozeleira: o enredo oculto por trás da prisão de Bolsonaro

Enquanto manchetes repetem uma versão simplificada, os documentos, a cronologia e o silêncio sobre relações sensíveis revelam que a tornozeleira pode ter sido apenas o álibi conveniente para uma decisão já tomada.
O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?
Política Há 1 mês Em Brasil

O silêncio ensurdecedor sobre o Banco Master: por que ninguém pergunta sobre a ligação com a família de Alexandre de Moraes?

Enquanto o debate nacional se concentra na tornozeleira de Bolsonaro, relações profissionais sensíveis entre parentes do ministro do STF e um grande banqueiro seguem intocadas. É apenas coincidência — ou parte de uma cortina de fumaça muito conveniente?
 Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.
BANCO MASTER Há 1 mês Em Brasil

Crise BRB–Banco Master se agrava: liquidação, afastamentos e a missão de Temer expondo fragilidade política para Celina e Ibaneis.

Após a prisão do controlador do Banco Master e a liquidação da instituição pelo Banco Central, veio à tona que o ex-presidente Michel Temer foi contratado pelo banco para tentar negociar uma solução com o BC. O escândalo levou ao afastamento da cúpula do BRB, alimentou pedidos de CPI e pode ampliar o desgaste político para Celina Leão e Ibaneis Rocha no DF.