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Santa Casa suspende atendimentos e mortes por doenças respiratórias disparam em Campo Grande

Com mais de 260 pacientes aguardando leitos, crise hospitalar expõe superlotação e falta de insumos

12/05/2025 às 10h56
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A crise na saúde pública de Campo Grande atingiu níveis alarmantes com o aumento de casos e mortes por doenças respiratórias, enquanto a Santa Casa, maior hospital de Mato Grosso do Sul, suspendeu temporariamente os atendimentos no Pronto Atendimento Adulto e Infantil. O número de óbitos na capital saltou de 94 para 106 em menos de uma semana, com crianças e idosos entre as principais vítimas.

Dados da Secretaria Municipal de Saúde revelam que, das mortes registradas este ano, 10 foram de crianças e 63 de idosos acima de 60 anos. Além disso, 1.219 pessoas precisaram de internação devido a complicações respiratórias, sendo 721 delas crianças.

Santa Casa em colapso
A suspensão dos atendimentos na Santa Casa foi anunciada no último fim de semana, motivada pelo desabastecimento grave de insumos no centro cirúrgico, risco iminente de desassistência e possibilidade de óbitos. A medida evidenciou a superlotação hospitalar, que vinha comprometendo o atendimento na capital.

Atualmente, 260 pacientes aguardam vagas em leitos hospitalares, incluindo 41 crianças em unidades básicas de saúde. A secretária de Saúde, Rosana Leite, garantiu que todos os pacientes estão recebendo atendimento nas UPAs de Campo Grande, mas reconheceu que a situação permanece crítica.

Novas medidas emergenciais
Para enfrentar a crise, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) anunciou a abertura de novos leitos: 20 no Hospital do Câncer Alfredo Abrão, 12 no Hospital São Julião e 30 no Hospital Adventista do Pênfigo. A ativação desses leitos, no entanto, ainda depende de autorização do Governo do Estado.

As UPAs Almeida e Coronel Antonino reforçaram o atendimento pediátrico 24 horas, mas o déficit de leitos hospitalares continua sendo um desafio. “Estamos negociando mais 30 leitos em unidades particulares para aliviar a superlotação e antecipamos a vacinação para frear o surto de doenças respiratórias”, afirmou a secretária Rosana Leite.

Emergência na saúde pública
A crise atual reflete problemas estruturais que levaram Campo Grande a decretar situação de emergência na saúde em 2024, devido à falta de leitos pediátricos. Desde então, pouco avanço foi feito para solucionar o déficit crônico de vagas, agravado pelo surto atual de doenças respiratórias.

Com 1.940 hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 27 mortes registradas em Mato Grosso do Sul neste ano, a capacidade do sistema de saúde enfrenta seu limite, deixando pacientes e profissionais em uma situação desesperadora.

Prevenção e cuidados
Enquanto a população lida com filas e superlotação, a vacinação segue sendo uma das principais estratégias para reduzir a disseminação do vírus. A Sesau orienta que todos fiquem atentos aos sinais iniciais de complicações respiratórias e busquem atendimento imediatamente.

A crise em Campo Grande expõe a necessidade urgente de investimentos em saúde pública e medidas mais eficazes para evitar novos colapsos no sistema hospitalar.

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