Quinta, 01 de Janeiro de 2026

STF rachado: maioria dos ministros se recusam a defender Moraes após sanções dos EUA

Só 6 dos 11 ministros foram ao jantar com Lula; clima é de revolta com pressão de Moraes e temor de desgaste internacional

01/08/2025 às 10h23 Atualizada em 01/08/2025 às 11h17
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu um novo patamar de tensão e exposição pública. Após as sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky, a tentativa de uma reação unificada da Corte virou um fracasso retumbante.

Mais da metade dos ministros ignorou o pedido de Moraes por uma carta coletiva em sua defesa e se recusou a participar do jantar organizado por Lula na quinta-feira (31), no Palácio da Alvorada. Dos 11 integrantes da Corte, apenas 6 estiveram presentes: Moraes, Cristiano Zanin, Edson Fachin, Flávio Dino, Gilmar Mendes e o próprio presidente do STF, Luís Roberto Barroso.

A ausência de Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça — estes dois últimos indicados por Jair Bolsonaro — escancarou a cisão. Segundo bastidores ouvidos pelo Poder360, o clima dentro da Suprema Corte é descrito como “péssimo”. A maioria dos ministros considera inadequada qualquer manifestação pública que enfrente uma decisão soberana dos EUA, mesmo que envolva um colega de toga.

Diante da recusa generalizada, Barroso divulgou uma nota institucional tímida e sem qualquer citação direta aos Estados Unidos, frustrando Moraes, que esperava uma demonstração de apoio unânime. A estratégia de Lula de repetir a imagem de união dos Três Poderes após o 8 de janeiro desmoronou — e a divisão no STF virou o verdadeiro destaque da noite.

Nem mesmo entre os presentes havia total adesão. Edson Fachin participou contrariado, apenas por dever institucional, já que assume a presidência da Corte em breve, com Moraes como vice. A leitura de parte significativa do Supremo é que o ministro sancionado vem arrastando o STF para uma situação “sem volta”, extrapolando os limites da diplomacia e da prudência jurídica.

A gota d’água para muitos foi o uso de linguagem inflamada no despacho que determinou tornozeleira eletrônica a Bolsonaro, no qual Moraes insinuou que os Estados Unidos poderiam ser considerados “inimigos estrangeiros”. A retórica foi duramente criticada internamente por ser, segundo ministros, “incompatível com a posição institucional da Corte”.

No fim, o jantar que pretendia ser símbolo de força institucional virou retrato de um STF dividido, exposto e com um de seus membros cada vez mais isolado — não só no Brasil, mas também no cenário internacional.

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*Com informações Poder 360

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