Quinta, 01 de Janeiro de 2026

Prisão de Bolsonaro pode provocar sanções inéditas dos EUA e abalar economia brasileira

Especialistas alertam para impactos severos em exportações, sistema financeiro e reservas internacionais caso STF condene ou decrete prisão do ex-presidente

25/08/2025 às 12h16
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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A iminente abertura do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para o dia 2, acendeu um alerta internacional: sua eventual prisão ou condenação pode gerar sanções inéditas dos Estados Unidos, com efeitos profundos sobre a economia brasileira.

O cenário começou a se deteriorar em julho, quando o governo Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros. Agora, especialistas apontam que medidas adicionais podem atingir ministros do STF, familiares e até setores estratégicos do país. Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia da Tendências Consultoria, explica que os efeitos podem superar em muito o impacto do chamado “tarifaço” de 50%, já considerado histórico.

O agronegócio e a indústria de transformação seriam os primeiros setores atingidos, com potencial redução drástica de exportações para os Estados Unidos – principal parceiro comercial do Brasil. Caso as tarifas subam para 100%, como cogitado por Trump, a atividade econômica poderia entrar em colapso em áreas sensíveis, com reflexos diretos sobre produção, emprego e investimentos.

No campo financeiro, bancos brasileiros que operam nos EUA enfrentariam dilemas graves. Cumprir sanções americanas poderia gerar penalidades pesadas no exterior; desrespeitá-las, por sua vez, colocaria as instituições em conflito com a legislação brasileira, criando um impasse operacional sem precedentes. Alexandre Schwartsman, economista e ex-diretor do Banco Central, ressalta: “Não dá para servir a dois senhores ao mesmo tempo.”

O cenário mais extremo envolve a exclusão do Brasil do sistema Swift, o principal meio de transferências financeiras internacionais, ou o congelamento de reservas brasileiras nos EUA – medidas que já atingiram países como Rússia. Caso se concretizem, tais ações poderiam paralisar exportações, importações, investimentos e remessas internacionais, configurando uma catástrofe econômica.

Especialistas financeiros, entretanto, afirmam que o sistema bancário brasileiro é robusto e bem capitalizado, evitando uma crise bancária sistêmica imediata. Ainda assim, a combinação de aumento de tarifas, risco de sanções e instabilidade política poderia elevar juros, desvalorizar o real, reduzir investimentos e afetar diretamente o PIB e o emprego.

A crise diplomática ganhou contornos mais complexos quando o STF afirmou que leis estrangeiras não têm validade automática no Brasil, provocando reação da embaixada americana, que classificou o ministro Alexandre de Moraes como “tóxico” para empresas e indivíduos que desejam acesso aos EUA.

Diante do cenário, economistas e analistas alertam que os próximos passos da Justiça brasileira em relação a Bolsonaro serão observados de perto por Washington, com impactos que podem reverberar do comércio à estabilidade financeira nacional. A tensão coloca o país diante de um momento crítico, com potencial de redefinir relações diplomáticas e econômicas para os próximos anos.

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*Com informações Gazeta do Povo

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