Quinta, 01 de Janeiro de 2026

STF suspende julgamento de Bolsonaro: delação explosiva e acusações de golpe agitam Brasília

Defesas atacam credibilidade de Mauro Cid e contestam provas; PGR denuncia conspiração para impedir posse de Lula e anuncia ruptura democrática

04/09/2025 às 10h48
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu nesta quarta-feira (3) o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados, que será retomado em 9 de setembro, com o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, na ação penal que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado. A sessão, marcada por tensão e acusações fortes, expôs o conflito entre defesas e PGR, acirrando a crise política no país.

Nos últimos dois dias, as sustentações orais das defesas dos oito réus se concentraram em contestar a delação do tenente-coronel Mauro Cid, que aponta envolvimento de Bolsonaro na conspiração para manter-se no poder após as eleições de 2022. A PGR manteve a acusação de que os réus tramaram impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caracterizando uma tentativa de golpe.

O general Walter Souza Braga Netto liderou a ofensiva contra a delação, destacando contradições e atrasos de Cid na revelação de informações sobre financiamento do golpe. “Não estamos falando de um relógio ou de um brinco. Estamos falando de dinheiro para um golpe de Estado. Dar credibilidade a esse colaborador seria uma irresponsabilidade sem tamanho”, afirmou o advogado José Luis Mendes de Oliveira Lima.

Bolsonaro também contestou as acusações, alegando que foi “arrastado” para os atos de 8 de janeiro e que não participou de operações como “Punhal Verde e Amarelo” ou “Luneta”. “Não existe uma única prova que me conecte a essas ações. O delator mentiu e não há fundamentos para punição”, sustentou a defesa do ex-presidente.

Outras defesas, incluindo as de Augusto Heleno e Alexandre Ramagem, atacaram Moraes, alegando falta de imparcialidade e acúmulo de funções de julgador e acusador. A defesa do ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio, reforçou que ele atuou para impedir qualquer ação de exceção por parte de Bolsonaro, mantendo a disciplina das Forças Armadas.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi incisivo: Bolsonaro e aliados teriam tramado contra a Constituição, conclamando publicamente a população a desrespeitar as urnas eletrônicas e resistir aos resultados eleitorais. “Quando o presidente e o ministro da Defesa se reuniram com comandantes militares, não buscavam uma consulta legal, mas sim a execução de um golpe em andamento”, destacou Gonet.

O julgamento promete ser histórico e movimentou Brasília, evidenciando a polarização política do país. As sessões extraordinárias foram convocadas entre os dias 9 e 12 de setembro, com expectativa de decisão final até o dia 12, mantendo o país em alerta máximo sobre o destino de um ex-presidente acusado de tentar subverter a democracia.

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*Com informações Metrópoles

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