Sexta, 27 de Fevereiro de 2026
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Herói contra o crime, juiz Odilon vive como prisioneiro dentro de casa em Campo Grande

Após condenar mais de 100 traficantes e enfrentar PCC e Comando Vermelho, magistrado aposentado segue sem proteção e pede escolta para ter vida mínima fora do lar

23/09/2025 às 09h23
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Depois de décadas enfrentando algumas das facções criminosas mais perigosas do país, o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira vive hoje como um prisioneiro em sua própria casa, sem proteção do Estado e sob risco constante de atentados. A ironia é dura: um homem que condenou mais de 100 traficantes internacionais, apreendeu aviões, veículos de luxo e centenas de imóveis ligados ao crime e colocou atrás das grades líderes do Comando Vermelho e do PCC, agora depende da própria sorte para sair do lar.

Escolta retirada e Estado omisso

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu em 2018 retirar a escolta que Odilon recebia da Polícia Federal, alegando que ele havia se aposentado e disputado o governo de Mato Grosso do Sul. Desde então, o ex-juiz enfrenta uma batalha judicial para recuperar proteção mínima, sem sucesso. “Renunciei à minha liberdade para proteger a sociedade e, agora, o Estado me abandona. Isso é desonestidade com quem arriscou a vida pelo país”, denuncia.

Odilon sobrevive com medidas improvisadas: casa transformada em fortaleza, cercas elétricas, câmeras, alarmes, amigos policiais que eventualmente ajudam e escolta privada que ele não pode bancar. Mesmo assim, ele afirma que não consegue viver tranquilo nem por um minuto.

Perigo constante

Durante sua carreira, Odilon foi alvo de quatro atentados confirmados e centenas de ameaças concretas, incluindo metralhamentos de carros, tiros em sua casa e invasões de residências. “Passei 20 anos sob escolta cerrada e agora, sem nenhuma proteção, vivo como um prisioneiro. É um absurdo total”, afirma.

O ex-juiz relata que a retirada da proteção oficial representa um desestímulo para qualquer servidor público que lide com alto risco, mostrando que no Brasil quem combate o crime organizado é muitas vezes deixado à própria sorte.

Reconhecimento público x abandono do Estado

Apesar de ter sua história retratada em filmes e documentários — como o longa “Em nome da lei” (2016) e o documentário “Odilon – Réu de Si Mesmo” (2020, HBO Max) —, Odilon afirma que o reconhecimento artístico e midiático não se traduz em segurança ou respeito do Estado.

Não quero luxo, não quero privilégios, quero apenas sair de casa algumas horas por semana sem medo de ser assassinado. O Brasil se esqueceu de mim depois que eu mais precisei, conclui o magistrado aposentado, que já recorreu ao CNJ e à Justiça Federal para restaurar sua proteção, sem qualquer resposta.

O caso do juiz Odilon levanta uma questão crítica: enquanto o país protege criminosos e facções perigosas, os heróis que enfrentam o crime organizado ficam vulneráveis e esquecidos, transformando décadas de serviço e sacrifício em abandono institucional.

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*Com informações Gazeta do Povo

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