Quinta, 01 de Janeiro de 2026

Escândalo no INSS: sindicato de irmão de Lula movimentou R$ 1,2 bilhão e repassou milhões a empresas de familiares

Relatório do Coaf aponta saques suspeitos, repasses a parentes de dirigentes e explosão nos valores recebidos pelo Sindnapi

02/10/2025 às 09h07 Atualizada em 15/12/2025 às 15h58
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), que tem como vice-presidente Frei Chico, irmão do presidente Lula (PT), movimentou R$ 1,2 bilhão entre janeiro de 2019 e junho de 2025, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtido pela CPMI do INSS.

O documento aponta que só em saques e depósitos em espécie o sindicato movimentou R$ 6,5 milhões, operações consideradas “complexas” pelo Coaf devido à dificuldade de rastrear origem e beneficiários finais. Além disso, empresas de familiares de dirigentes do Sindnapi receberam R$ 8,2 milhões no período, incluindo companhias ligadas ao atual presidente Milton Baptista de Souza Filho (Milton Cavalo) e ao ex-presidente João Batista Inocentini (João Feio), morto em 2023.

Os repasses do INSS ao sindicato também cresceram de forma impressionante: de R$ 23,2 milhões em 2020 para R$ 154,7 milhões em 2024, um aumento de 564% em apenas cinco anos, de acordo com dados do Portal da Transparência.

Para agravar a situação, relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou que o sindicato não conseguiu apresentar documentação completa de nenhum associado dentro de uma amostra analisada, reforçando as suspeitas de irregularidades.

O caso, já classificado como “Farra do INSS”, evidencia graves falhas de fiscalização e levanta questionamentos sobre a gestão de recursos destinados aos aposentados e pensionistas, aumentando a pressão política sobre o governo federal.

O QUE DIZ O SINDINAP?

Após publicação desta reportagem, o Sindnapi enviou a seguinte nota, reproduzida na íntegra:

“Após a quebra do sigilo fiscal do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos) no âmbito da CPMI do INSS, foram vazadas na imprensa informações de transações bancárias o Sindicato e seus dirigentes, obtidas a partir de Relatório de Inteligência Financeira expedido pelo COAF.

A esse respeito, o Sindicato, apesar de ter seu sigilo bancário exposto, direito conferido constitucionalmente a todos os cidadãos e organizações da sociedade civil, não vê qualquer problema, dado que, desde o início da deflagração da Operação Sem Desconto, vem se colocando à disposição das autoridades.

Contudo, os dados vêm sendo distorcidos e divulgados de forma irresponsável e mal intencionada, procurando atingir a imagem e respeitabilidade do Sindicato e seus dirigentes, o que merece reparo, além de nosso repúdio.

As cifras, frequentemente mencionadas na casa dos bilhões de reais, consistem na soma de entradas e saídas ao longo de diversos anos, o que artificializa o real fluxo de caixa da entidade. Isso faz com que a população seja exposta à percepção, falsa, de que o Sindicato movimenta uma verba que não é compatível com a sua atividade e os serviços prestados no melhor interesse de seus associados e de toda a sociedade, dada a incansável luta da entidade em defesa da proteção social dos aposentados do Brasil.

Vejamos, no período de janeiro de 2021 a abril de 2025, o Sindnapi teve receitas de pouco mais de R$ 387 milhões oriundas dos descontos associativos e mais R$ 41 milhões de recebimentos de empréstimos e outras entradas, resultando num total geral de pouco mais de R$ 428 milhões. Considerando o mesmo período, o Sindnapi teve despesas de aproximadamente R$ 458.131.000,00, plenamente justificadas, contabilizadas e auditadas sendo que os principais itens correspondem ao programa Viver Melhor (60,30%), folha de pagamento (11,39%), honorários advocatícios (7,43%), impostos (4,44%) e repasses para as 56 subsedes espalhadas pelo país (3,63%). A diferença de cerca de R$ 30 milhões entre receitas e despesas foi suportada pela poupança e investimentos que giraram na ordem de R$ 70 milhões. Planilhas contábeis, balancetes, auditorias e contas bancárias estão à disposição da Suprema Corte do país, o que ratifica o interesse do Sindnapi em esclarecer os fatos para que se separe entidades idôneas das verdadeiras organizações criminosas.

Por fim, manifestamos também repúdio à estratégia que foi mobilizada de vazar na imprensa informações que nem o Sindnapi e tampouco os seus advogados do Sindicato tiveram prévio acesso. Trata-se de expediente dedicado única e exclusivamente a confundir e depreciar o Sindnapi, e que em nada se coaduna com o exercício das liberdades comunicativas, essenciais para o Estado Democrático de Direito.”

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*Com informações Metrópoles

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