
O cenário político de Mato Grosso do Sul entra em uma fase de intensa movimentação e articulações de bastidores mirando as eleições de 2026. Entre disputas internas, estratégias nacionais e a força crescente de novos eleitorados, o Estado se consolida como um território-chave na corrida eleitoral — com sinais claros de polarização e incerteza.
Diante da perspectiva de uma disputa apertada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve intensificar sua presença no Estado, algo incomum em eleições anteriores. A estratégia tem um objetivo claro: tentar reverter o histórico desfavorável do PT em Mato Grosso do Sul.
Em 2022, Lula ficou atrás de Jair Bolsonaro, que venceu com 59,49% dos votos, contra 40,51% do petista — diferença que ainda pesa nas projeções eleitorais.
A aposta do partido é que a presença direta do presidente possa impulsionar candidaturas locais, especialmente em um momento em que o PT enfrenta dificuldades para viabilizar nomes competitivos ao Senado e à Câmara.
A situação do partido se torna ainda mais delicada com a mudança de estratégia de Vander Loubet, que deixa a disputa pela Câmara após seis mandatos para tentar uma vaga no Senado — mesmo sem aparecer entre os primeiros colocados nas pesquisas.
Sem Vander na chapa proporcional, o PT perde um dos seus principais puxadores de voto, o que pode comprometer o desempenho da legenda na eleição para deputado federal. Nomes como Camila Jara passam a assumir protagonismo, mas ainda enfrentam um cenário competitivo.
A disputa pelo Senado é hoje um dos principais focos da eleição em Mato Grosso do Sul — e também um dos mais imprevisíveis.
Levantamentos recentes apontam um cenário embolado, com Reinaldo Azambuja, Renan Contar e Nelsinho Trad liderando as intenções de voto, mas com margens apertadas e alto índice de indecisos.
Nesse contexto, Vander aparece mais atrás, enquanto outros nomes ainda buscam viabilizar suas candidaturas.
Já o senador Nelsinho Trad aposta na experiência e reforça o foco na reeleição, além de alinhar apoio ao governador Eduardo Riedel como parte de uma estratégia política mais ampla.
Do outro lado do espectro político, o campo conservador também vive turbulências.
O deputado Marcos Pollon, inicialmente cotado para o Senado com apoio de Jair Bolsonaro, enfrenta resistência dentro do próprio partido.
A disputa interna envolve lideranças nacionais e estaduais, além de episódios de desgaste político que fragilizam sua posição. Há ainda pressão para que outros nomes sejam priorizados, o que evidencia uma divisão estratégica dentro do PL.
Essa fragmentação pode impactar diretamente o desempenho eleitoral da direita no Estado, abrindo espaço para rearranjos inesperados.
Outro fator que agita o cenário é a chamada “janela partidária”, que já provoca movimentações significativas.
Há sinais de enfraquecimento de partidos tradicionais, como o PSDB, com possibilidade de migração de lideranças para outras siglas, especialmente o PL, que tenta ampliar sua base no Estado.
Esse redesenho partidário altera o equilíbrio de forças e pode influenciar diretamente na formação de chapas e alianças.
Um dos elementos mais decisivos da eleição em Mato Grosso do Sul é o crescimento do eleitorado evangélico, que já representa cerca de 32,5% da população — mais de 700 mil pessoas no Estado.
Esse avanço transforma o segmento em alvo prioritário de políticos de diferentes partidos, que intensificam a presença em cultos, eventos religiosos e encontros comunitários.
A estratégia é clara: acessar um eleitorado organizado, engajado e com alto poder de mobilização. Nos bastidores, lideranças religiosas passam a exercer papel cada vez mais relevante como articuladoras políticas.
Com a entrada mais ativa de Lula, divisões internas na direita, fragilidade do PT e crescimento de novos grupos de influência, Mato Grosso do Sul caminha para uma eleição marcada por incertezas.
O Estado deixa de ser apenas um coadjuvante no cenário nacional e passa a ocupar posição estratégica — onde cada movimento, apoio ou ruptura pode definir o rumo da disputa.
Nos bastidores, a avaliação é de que a eleição de 2026 será menos previsível do que as anteriores — e mais disputada do que nunca.