
O governador Eduardo Riedel avança com uma das principais apostas de sua gestão na área de infraestrutura: o programa Rodar MS, que promete revolucionar a malha rodoviária de Mato Grosso do Sul com eficiência, economia e foco em resultados.
A iniciativa ganhou força após a autorização para contratação de crédito junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, garantindo cerca de US$ 200 milhões em financiamento externo com aval da União. O recurso integra um pacote que pode chegar a aproximadamente R$ 1,2 bilhão, incluindo contrapartida estadual, destinado à recuperação e manutenção de centenas de quilômetros de rodovias.
O projeto prevê a requalificação de até 1 mil quilômetros de estradas, com pavimento em melhores condições de trafegabilidade e um diferencial importante: redução de custos que pode chegar a 38% em comparação aos modelos tradicionais. Além disso, estudos apontam que os gastos operacionais do transporte de cargas podem cair até quatro vezes, beneficiando diretamente o setor produtivo e a população.
O grande trunfo do Rodar MS está no modelo de gestão adotado. Inspirado em práticas internacionais, o programa utiliza o sistema Crema (Contrato de Restauração e Manutenção de Rodovias), que integra execução e manutenção das vias por longo período. A lógica é simples: quanto melhor a obra inicial, menor o custo futuro.
Esse formato rompe com o modelo tradicional de obras públicas ao atrelar o pagamento à qualidade do serviço prestado. Na modalidade DBM (Design, Build, Maintain), por exemplo, a empresa contratada será responsável por projetar, executar e manter os trechos por até 10 anos, com repasses condicionados ao desempenho.
Já em regiões estratégicas como o Bolsão — incluindo municípios como Água Clara, Inocência, Paranaíba e Três Lagoas — será adotado o modelo de Parceria Público-Privada (PPP), com contratos de até 30 anos. Nesses casos, a concessionária ficará responsável pela conservação permanente de rodovias como a MS-377 e a MS-240.
O alcance do programa é amplo: ao todo, 22 municípios serão impactados direta ou indiretamente, com forte concentração no Vale do Ivinhema e no Vale da Celulose. O objetivo é melhorar o escoamento da produção, garantir mais segurança nas estradas e elevar o padrão logístico do Estado.
Além da infraestrutura rodoviária, o Rodar MS também incorpora um viés social. O projeto prevê intervenções em 24 escolas públicas, com foco na segurança viária e acessibilidade no entorno escolar. A meta é reduzir riscos de acidentes e melhorar as condições de deslocamento de estudantes, professores e comunidades.
A articulação política foi decisiva para viabilizar o financiamento. O aval federal permitiu destravar o crédito internacional, considerado estratégico para a execução do programa. Segundo o governo, a iniciativa marca uma mudança de paradigma, substituindo ações emergenciais por uma gestão planejada, preventiva e baseada em desempenho.
Com a estrutura financeira garantida, o próximo passo será a publicação do edital e a realização do leilão na B3. A expectativa é que as obras comecem ainda entre o fim deste ano e o início do próximo.
Ao apostar em inovação, planejamento e parcerias, Riedel coloca o Rodar MS como vitrine de sua gestão — um projeto que pode redefinir a forma como Mato Grosso do Sul investe em infraestrutura e logística.