
A movimentação política em Mato Grosso do Sul já desenha um cenário de forte disputa para as eleições de 2026, especialmente na corrida por vagas na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa. Entre articulações partidárias, retorno de figuras tradicionais e teste de novas lideranças, o pleito caminha para um confronto direto entre renovação e força política consolidada.
O Partido Liberal aparece como um dos protagonistas desse cenário. A sigla ampliou sua base com novas filiações e já projeta eleger até três deputados federais e até sete estaduais, apostando em uma chapa robusta e competitiva. Além disso, o partido passou a ter a maior bancada na Assembleia Legislativa, reforçando sua estratégia de crescimento no Estado.
Dentro do PL, nomes que cresceram na chamada “onda bolsonarista” devem enfrentar um verdadeiro teste de força nas urnas. A disputa interna e externa tende a medir o peso real dessas lideranças sem o mesmo contexto eleitoral de 2018, considerado um dos mais disruptivos da política recente.
O cenário também é marcado pelo retorno de figuras tradicionais. O ex-governador André Puccinelli volta ao jogo eleitoral após décadas longe de disputas proporcionais, enquanto outras lideranças experientes tentam recuperar espaço diante de um eleitorado mais volátil.
Ao mesmo tempo, nomes que já disputaram cargos majoritários buscam reposicionamento. A ex-deputada Rose Modesto, por exemplo, volta à corrida por uma vaga na Câmara Federal, descartando composições majoritárias e reforçando o foco em atuação em Brasília.
Outro fator que movimenta o tabuleiro político é a forte presença de ex-prefeitos e lideranças regionais nas chapas. A estratégia é clara: capitalizar votos locais e ampliar a competitividade em um sistema proporcional que exige densidade eleitoral distribuída.
As mudanças partidárias também têm papel decisivo. A janela partidária redesenhou forças políticas no Estado, com migrações significativas — especialmente enfraquecendo siglas tradicionais e fortalecendo outras, como PL e Republicanos.
No pano de fundo, há um comportamento eleitoral já observado nos últimos pleitos. Enquanto a Assembleia Legislativa tende a ter renovação mais gradual, a Câmara Federal costuma refletir com maior intensidade o humor do eleitor, podendo gerar mudanças bruscas — como ocorreu em 2018, quando cerca de 75% da bancada foi renovada.
Agora, a grande incógnita é se 2026 será mais um ciclo de ruptura ou de acomodação. Com lideranças tradicionais tentando retomar protagonismo e novos nomes buscando se firmar, o eleitor sul-mato-grossense terá papel decisivo na definição dos rumos políticos do Estado.
Nos bastidores, a avaliação é de que “ainda não vimos nada” — e que as articulações devem se intensificar até as convenções partidárias, quando as candidaturas serão oficialmente definidas e o jogo político ganhará contornos finais.