
A movimentação política em Mato Grosso do Sul ganhou intensidade nas últimas semanas e escancara um cenário de disputas acirradas, articulações de bastidores e incertezas que devem marcar a eleição de outubro. Entre tentativas de sobrevivência partidária, brigas judiciais e novas estratégias eleitorais, o tabuleiro político estadual está longe de qualquer estabilidade.
O PSDB, que saiu das urnas em 2022 como a maior força na Câmara Federal no Estado, agora luta para não desaparecer. A saída em massa de lideranças — incluindo os três deputados federais eleitos e nomes de peso como Eduardo Riedel e Reinaldo Azambuja — deixou o partido esvaziado.
Mesmo assim, a sigla tenta se reorganizar e traça uma meta modesta: eleger ao menos um deputado federal. Para isso, aposta na mudança da legislação eleitoral, que flexibilizou o quociente e abriu espaço para partidos menores voltarem a competir.
Sem grandes puxadores de votos, a estratégia é montar uma chapa equilibrada, com vários candidatos competitivos. Entre os nomes estão lideranças regionais, vereadores, ex-prefeitos e representantes femininas, numa tentativa de reconstrução política.
Enquanto partidos se reorganizam, a Justiça Eleitoral se torna palco de uma disputa que revela a instabilidade do cenário político. O mandato do deputado Lucas de Lima segue indefinido após uma série de reviravoltas envolvendo troca de partido e acusações de infidelidade partidária.
A situação se complicou ainda mais com a entrada de um novo interessado na vaga, o ex-deputado Enelvo Felini, que passou a reivindicar o posto após mudanças na linha sucessória do partido.
O processo se arrasta há meses no Tribunal Superior Eleitoral e evidencia como decisões judiciais podem impactar diretamente a composição política do Estado.
Em meio ao enfraquecimento de partidos tradicionais, o Partido Novo tenta ocupar espaço e se consolidar como alternativa. A legenda já definiu o deputado estadual João Henrique Catan como pré-candidato ao governo e trabalha com três nomes para o Senado.
Entre eles, o empresário Roberto Oshiro aparece como o mais avançado na pré-campanha. Segundo a direção do partido, a escolha final será baseada no desempenho nas pesquisas, o que reforça uma estratégia pragmática e voltada à competitividade.
A corrida ao Senado é, sem dúvida, um dos pontos mais tensionados do cenário político em Mato Grosso do Sul. Com duas vagas em disputa, partidos intensificam articulações, buscam alianças e testam nomes.
O movimento do Novo e a reorganização de outras siglas indicam que a disputa será pulverizada, com diferentes grupos tentando viabilizar candidaturas competitivas em meio a um eleitorado ainda indefinido.
Entre partidos tentando sobreviver, novas regras eleitorais mudando o jogo, disputas judiciais travadas e pré-candidaturas em formação, Mato Grosso do Sul entra em uma fase decisiva.
O cenário é de fragmentação e incerteza, onde nenhuma força política demonstra controle absoluto. A eleição que se aproxima promete ser marcada por embates intensos, reviravoltas e uma disputa que deve ir muito além das urnas — refletindo um ambiente político cada vez mais tensionado e imprevisível.