
O cenário político de Mato Grosso do Sul vive um momento de forte turbulência, com disputas internas, possíveis mudanças na Câmara Federal e articulações antecipadas para as eleições de 2026. No centro da crise está o deputado federal Marcos Pollon (PL), que pode ser afastado do cargo por até cinco meses após processo no Conselho de Ética da Câmara.
A eventual suspensão abre caminho para a primeira suplente do partido, Luana Ruiz, que recebeu 24.176 votos nas últimas eleições e pode assumir o mandato caso o afastamento ultrapasse 120 dias.
O caso contra Pollon ganhou força após relatores defenderem punições que somam até cinco meses. Parte da penalidade — dois meses — está relacionada à obstrução da mesa diretora da Câmara, enquanto outros três meses podem ser aplicados por declarações consideradas ofensivas ao presidente da Casa, Hugo Motta.
O processo ainda passará pelo Conselho de Ética, podendo seguir para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, ao plenário, onde serão necessários ao menos 257 votos para evitar o afastamento definitivo.
Enquanto enfrenta o risco de perder o mandato temporariamente, Pollon também está no centro de outra disputa: a corrida pelo Senado. Ele e o ex-deputado Capitão Contar disputam espaço dentro do PL, que deve ter apenas uma vaga disponível para a eleição.
O cenário ficou ainda mais complexo após articulação nacional que garante espaço ao ex-governador Reinaldo Azambuja, reduzindo as chances internas para outros nomes.
Além disso, o Partido Novo avalia lançar candidatos próprios, o que pode fechar portas para alianças estratégicas e aumentar a fragmentação do eleitorado mais alinhado à direita no Estado.
A situação expõe uma divisão clara dentro do campo conservador em Mato Grosso do Sul. Parte do eleitorado mais ideológico resiste à aproximação com grupos políticos que hoje comandam o Estado, o que pode impactar diretamente o desempenho eleitoral de nomes ligados ao bolsonarismo.
Nos bastidores, cresce o receio de que alianças consideradas contraditórias enfraqueçam candidaturas e favoreçam adversários.
Do outro lado do espectro político, a falta de unidade também marca o cenário. O PSOL decidiu seguir caminho próprio e lançar candidatura ao governo estadual, rompendo com o PT.
Enquanto isso, o PT já definiu o ex-deputado Fábio Trad como candidato ao governo, com apoio de lideranças tradicionais do partido, ampliando ainda mais a fragmentação política no Estado.
Com processos em andamento, disputas internas e alianças indefinidas, Mato Grosso do Sul entra em um período de incerteza política. O possível afastamento de Pollon não apenas pode alterar a composição da bancada federal, mas também impactar diretamente o jogo eleitoral rumo a 2026.
Nos bastidores, lideranças já se movimentam intensamente — e o que se desenha é uma disputa marcada por divisões, reviravoltas e um eleitorado cada vez mais decisivo.