Segunda, 04 de Maio de 2026

Congresso atropela Lula, derruba veto e impõe derrota política com impacto direto no caso Bolsonaro

Placar esmagador expõe fragilidade do governo no Parlamento e acelera promulgação de lei que reduz penas do 8 de Janeiro

04/05/2026 às 17h30
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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O Congresso Nacional impôs mais uma derrota contundente ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao formalizar a derrubada do veto ao chamado PL da dosimetria, escancarando o enfraquecimento da articulação política do Planalto em Brasília.

A decisão, tomada com ampla maioria, não deixou margem para dúvidas: foram 318 votos na Câmara e 49 no Senado pela rejeição do veto presidencial, contra 144 e 24 votos favoráveis, respectivamente.

O recado político foi direto — o Congresso não apenas contrariou Lula, como também reescreveu uma pauta sensível ao governo, ao permitir a redução de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Derrota com efeito imediato e simbólico

O impacto vai além do resultado legislativo. A derrota evidencia um governo sem controle pleno sobre sua base e cada vez mais vulnerável a reveses em votações estratégicas.

O projeto, vetado integralmente por Lula sob o argumento de que poderia enfraquecer a resposta penal a crimes contra o Estado Democrático de Direito, agora será transformado em lei após a promulgação — etapa que deve ser conduzida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, caso o presidente opte por não agir dentro do prazo legal.

Esse movimento já é dado como certo nos bastidores, repetindo uma estratégia anterior do governo para evitar desgaste direto em decisões impopulares.

Mudança que pode beneficiar Bolsonaro

Na prática, o texto altera a forma de cálculo das penas quando há mais de um crime no mesmo contexto. Em vez da soma das punições, passa a prevalecer a pena do crime mais grave com acréscimos, o que pode reduzir significativamente o tempo de prisão de condenados.

Entre os possíveis beneficiados está Jair Bolsonaro, que pode ter a progressão de regime acelerada com as novas regras.

Congresso dividido, mas decidido

A votação escancarou o racha político. Parlamentares favoráveis à derrubada do veto alegam que as penas aplicadas foram desproporcionais e que o Congresso corrige “excessos” do Judiciário.

Já governistas reagiram com dureza, classificando a medida como uma espécie de anistia disfarçada e acusando o Parlamento de legislar para beneficiar aliados políticos.

Apesar da divergência, o resultado mostrou uma maioria sólida disposta a enfrentar o Planalto.

Planalto isolado e sob pressão

A derrota ocorre em um momento delicado para o governo, que já vinha acumulando desgastes recentes no Congresso. O episódio reforça a percepção de perda de controle político e aumenta o risco de novas derrotas em pautas consideradas prioritárias.

Mais do que uma disputa jurídica sobre penas, o caso da dosimetria se transforma em símbolo de um embate maior: de um lado, um governo que tenta manter sua agenda; do outro, um Congresso cada vez mais independente — e disposto a impor derrotas públicas.

No fim, o recado foi claro: o Planalto perdeu, e perdeu feio.

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