
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou nesta terça-feira (12) a Operação “Buraco Sem Fim”, que investiga um suposto esquema milionário de fraudes em contratos de tapa-buraco em Campo Grande. A investigação aponta irregularidades em contratos e aditivos que, entre 2018 e 2025, somaram mais de R$ 113,7 milhões.
A ofensiva foi conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), em conjunto com o Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público.
Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão na Capital.
Entre os presos está o ex-secretário municipal de Obras e então diretor-presidente da Agesul, Rudi Fiorese. Também foram presos o engenheiro Mehdi Talayeh e o gestor de projetos Edivaldo Aquino Pereira, ambos ligados ao setor responsável pelos serviços de manutenção das vias públicas.
Segundo o Ministério Público, as investigações identificaram a atuação de uma organização criminosa responsável por fraudar sistematicamente a execução dos serviços de tapa-buraco em Campo Grande.
De acordo com o MPMS, o esquema funcionava por meio da manipulação de medições de obras e da realização de pagamentos públicos por serviços que não teriam sido executados integralmente.
Em nota oficial, o órgão afirmou que as evidências revelaram pagamentos incompatíveis com os serviços efetivamente prestados, permitindo suposto desvio de recursos públicos, enriquecimento ilícito e contribuindo diretamente para a precariedade das vias públicas da Capital.
Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores encontraram altas quantias em dinheiro vivo em imóveis ligados aos alvos da operação.
Segundo o MPMS, foram apreendidos pelo menos R$ 429 mil em espécie. Em um dos endereços, policiais localizaram R$ 186 mil. Em outro imóvel, foram encontrados R$ 233 mil em notas de real.
A descoberta do dinheiro elevou ainda mais a gravidade das suspeitas investigadas pelo Ministério Público.
Rudi Fiorese ocupou a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) entre 2017 e 2023, durante a gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad.
Em fevereiro deste ano, ele havia sido nomeado diretor-presidente da Agesul pelo Governo do Estado. Após a divulgação da prisão, o Executivo estadual informou a exoneração imediata do servidor.
Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) afirmou que a investigação se refere exclusivamente ao período em que Fiorese atuava na Prefeitura de Campo Grande e destacou compromisso com “lisura e transparência na administração pública”.
Os três presos nesta terça-feira também já figuravam como réus na Operação Cascalhos de Areia, que apura suspeitas de fraudes em contratos de manutenção de vias não pavimentadas durante a gestão municipal anterior.
A nova operação amplia o cerco sobre contratos milionários ligados à infraestrutura urbana da Capital e aprofunda as investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo empreiteiras e agentes públicos.
Questionado sobre a operação, Marquinhos Trad afirmou que não houve ilegalidade nos contratos firmados durante sua administração.
Segundo o ex-prefeito, todos os contratos passaram pelos órgãos de controle e tiveram aprovação das contas públicas. Ele alegou ainda que eventuais irregularidades na execução dos serviços não seriam de responsabilidade direta do chefe do Executivo municipal.
Durante a operação, policiais encontraram entorpecentes na residência do coordenador do tapa-buraco, Edivaldo Aquino. O filho dele também foi encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos após o flagrante.
A Operação “Buraco Sem Fim” segue em andamento e novas fases não estão descartadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.