Quinta, 25 de Junho de 2026

Disputa pelo Senado agita bastidores em MS e racha no clã Bolsonaro trava definições do PL

Capitão Contar reforça candidatura, Pollon mantém expectativa de indicação e tensão entre Michelle e Flávio Bolsonaro amplia incertezas para 2026

25/06/2026 às 15h20
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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A corrida pelas duas vagas ao Senado em Mato Grosso do Sul já movimenta os bastidores políticos, mesmo a mais de um ano das eleições de 2026. No centro das articulações está o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que ainda não definiu oficialmente todos os nomes que representarão a legenda no Estado e vê uma disputa interna ganhar novos capítulos diante do desgaste público entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro.

O ex-deputado estadual Capitão Contar, pré-candidato ao Senado, revelou que sua construção eleitoral começou logo após a disputa pelo Governo do Estado em 2022, quando foi derrotado no segundo turno. Segundo ele, o incentivo para buscar uma vaga no Congresso Nacional partiu do próprio Jair Bolsonaro.

De acordo com Contar, o ex-presidente o convidou pessoalmente para disputar o Senado em 2026, iniciando um projeto político que vem sendo trabalhado desde então. O ex-deputado afirma ainda que recebeu recentemente uma ligação do senador Flávio Bolsonaro confirmando que seu nome está entre os escolhidos do partido para a disputa.

Apesar disso, a definição oficial continua sem anúncio público. A primeira vaga do PL ao Senado em Mato Grosso do Sul é tratada nos bastidores como destinada ao ex-governador Reinaldo Azambuja. A disputa concentra-se na segunda vaga, que opõe Capitão Contar e o deputado federal Marcos Pollon.

Pesquisas internas encomendadas pelo partido apontariam vantagem de Contar junto ao eleitorado bolsonarista, mas Pollon segue confiante em razão de compromissos assumidos anteriormente por Jair Bolsonaro. O parlamentar conta com forte apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem defendido publicamente sua candidatura.

O cenário ganhou novos contornos após o desentendimento entre Michelle e Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama tornou pública sua insatisfação com o senador, afirmando ter sido desrespeitada durante uma conversa sobre decisões partidárias. Flávio negou qualquer intenção de ofensa e divulgou uma nota pública tentando reduzir o desgaste.

Nos bastidores do PL, a avaliação é que a divergência pode atrasar ainda mais o anúncio das candidaturas ao Senado em diversos estados, incluindo Mato Grosso do Sul. A expectativa inicial era de que os escolhidos fossem apresentados nas últimas semanas, mas a direção nacional optou por divulgar uma lista única com os candidatos de todo o país.

Enquanto o PL enfrenta impasses internos, outros grupos políticos também se reorganizam para a disputa de 2026. No campo governista, a confirmação de que a ministra Simone Tebet deixará definitivamente a política sul-mato-grossense abre espaço para novas lideranças disputarem protagonismo no Estado.

Já no PT, a saída do deputado federal Vander Loubet da corrida ao Senado provocou uma reconfiguração dos planos eleitorais. A desistência do empresário Maurício Bumlai da suplência de Vander evidenciou outra disputa considerada estratégica: a batalha pelas vagas de deputado federal.

A preocupação dos partidos está diretamente ligada às mudanças nas regras de distribuição das chamadas sobras eleitorais. A nova legislação ampliou as chances de legendas médias e pequenas conquistarem cadeiras na Câmara dos Deputados, tornando a disputa ainda mais acirrada.

Nesse contexto, PT, PSDB, PL e a federação formada por União Brasil e PP travam uma verdadeira guerra de cálculos eleitorais. Lideranças partidárias avaliam que o desempenho de uma sigla poderá influenciar diretamente o número de parlamentares eleitos pelas demais, tornando cada candidatura ainda mais estratégica.

Com indefinições no campo bolsonarista, rearranjos na base governista e uma disputa aberta pelas vagas proporcionais, Mato Grosso do Sul começa a assistir à formação de um dos cenários eleitorais mais disputados dos últimos anos, com reflexos que poderão influenciar não apenas a composição da bancada federal, mas também o equilíbrio de forças para a sucessão estadual de 2026.

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