Quarta, 01 de Julho de 2026

Crise no PL e recuo do PSB movimentam os bastidores da eleição em Mato Grosso do Sul

Impasse no PL adia definição ao Senado, enquanto PSB recua em ação contra o vereador Chicão Viana.

01/07/2026 às 15h10
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A corrida eleitoral de 2026 em Mato Grosso do Sul ganhou novos ingredientes nesta semana. Enquanto o Partido Liberal (PL) adiou a definição de sua chapa ao Senado em razão da crise envolvendo lideranças nacionais da legenda, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) surpreendeu ao desistir da ação que buscava cassar o mandato do vereador de Corumbá Luís Francisco de Almeida Vianna, o Chicão Viana, por suposta infidelidade partidária. Os dois episódios evidenciam a intensa reorganização partidária que antecede as convenções eleitorais.

No PL, a expectativa era de que a direção nacional anunciasse até o fim de junho os dois candidatos ao Senado em cada Estado. A definição, porém, foi adiada após o desgaste entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, crise que passou a concentrar as atenções da cúpula da legenda e retardou as decisões em diversas unidades da federação.

Em Mato Grosso do Sul, a disputa permanece concentrada entre o ex-governador Reinaldo Azambuja, o deputado federal Marcos Pollon e o ex-deputado estadual Capitão Contar. Reinaldo é tratado internamente como nome praticamente consolidado para uma das vagas, enquanto Pollon e Contar disputam a segunda indicação do partido.

Presidente estadual do PL, Azambuja reafirmou que a escolha obedecerá ao desempenho nas pesquisas internas contratadas pela legenda. Segundo ele, os dois pré-candidatos mais bem posicionados serão oficializados assim que a executiva nacional concluir as definições pendentes nos demais estados.

Nos bastidores, aliados de Capitão Contar demonstram confiança de que o ex-deputado lidera os levantamentos internos e será confirmado na chapa. Já Marcos Pollon mantém a estratégia de destacar o apoio recebido anteriormente do ex-presidente Jair Bolsonaro, argumento que, segundo aliados, foi determinante para que permanecesse no PL durante a janela partidária.

Enquanto o PL vive um impasse, outro movimento chamou a atenção no cenário político estadual. O diretório do PSB, atualmente presidido pela senadora Soraya Thronicke em Mato Grosso do Sul, decidiu desistir da ação de perda de mandato movida contra o vereador Chicão Viana, que deixou a legenda para se filiar ao Republicanos.

A nova direção do partido comunicou à Justiça Eleitoral que não possui mais interesse no prosseguimento da ação e pediu a extinção do processo sem julgamento do mérito. Antes de homologar o pedido, o juiz eleitoral Fernando Bonfim Duque Estrada determinou que Chicão Viana seja ouvido, conforme prevê o Código de Processo Civil. O vereador terá prazo para informar se concorda ou não com a desistência da legenda.

O caso ganhou repercussão porque, poucos dias antes da mudança de posição do PSB, a Procuradoria Regional Eleitoral havia emitido parecer favorável à perda do mandato. O Ministério Público Eleitoral sustentou que a carta de anuência apresentada por Chicão foi assinada pelo Diretório Nacional do partido, embora, à época da desfiliação, o Diretório Estadual estivesse regularmente constituído, circunstância que, na avaliação da Procuradoria, retiraria validade do documento para afastar as regras de fidelidade partidária.

Com a retirada da ação pelo próprio PSB, o processo pode ser encerrado caso o vereador concorde com a desistência, reduzindo um dos focos de disputa jurídica envolvendo a reorganização partidária no Estado.

As movimentações no PL e no PSB mostram que a pré-campanha sul-mato-grossense continua marcada por negociações, disputas internas e reacomodações políticas. Enquanto o PL busca pacificar a escolha de seus candidatos ao Senado, os demais partidos também reorganizam suas bases e estratégias para uma eleição que promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos no Estado.

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