Terça, 14 de Julho de 2026

Alianças mudam, chapas encolhem e disputa pelo Senado redefine o tabuleiro político de Mato Grosso do Sul

Grupo de Lula aposta em candidatura única ao Senado; pesquisas mantêm liderança de Reinaldo, Contar e Nelsinho

14/07/2026 às 13h30
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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As articulações para as eleições de outubro aceleraram o ritmo em Mato Grosso do Sul e redesenharam o cenário político a poucos dias do início das convenções partidárias. Enquanto o grupo ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha para unificar sua estratégia na disputa pelo Senado, partidos da direita consolidam alianças para a corrida ao Governo do Estado e antigos diálogos entre legendas foram substituídos por trocas públicas de críticas.

A principal movimentação ocorre no campo governista. O deputado federal Vander Loubet (PT) confirmou que a senadora Soraya Thronicke (PSB) abriu mão da tentativa de reeleição para integrar sua chapa como primeira suplente. Segundo Vander, a proposta partiu da própria senadora e ainda depende apenas da aprovação do presidente Lula para ser oficializada. A avaliação do grupo é que uma candidatura única amplia a competitividade e evita a pulverização dos votos da base governista.

Caso a composição seja confirmada, o PT e o PSB abandonarão o plano inicial de lançar duas candidaturas ao Senado e passarão a concentrar recursos financeiros, estrutura partidária e o apoio político do presidente da República em um único nome. A mudança representa uma reavaliação da estratégia eleitoral após levantamentos internos indicarem dificuldades para conquistar uma vaga caso Vander e Soraya disputassem separadamente.

Enquanto isso, no campo da oposição ao governo federal, o cenário também passa por ajustes. A tentativa de aproximação entre o Partido Novo e o PRD fracassou antes mesmo de avançar. O presidente estadual do Novo, Guto Scarpanti, descartou qualquer composição com o ex-senador Delcídio do Amaral, citando seu histórico político. Delcídio respondeu afirmando que o PRD também não tem interesse em uma aliança e revelou aguardar uma definição da direção nacional sobre uma eventual candidatura própria ao Governo do Estado.

Propaganda eleitoral amplia vantagem dos favoritos

Outro fator que deve influenciar diretamente a campanha é a distribuição do tempo de propaganda no rádio e na televisão. Se confirmadas nas convenções, apenas três dos seis pré-candidatos ao Governo terão acesso ao horário eleitoral gratuito: o governador Eduardo Riedel (PP), o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) e Lucien Rezende (PSOL).

Riedel deverá concentrar a maior fatia da propaganda graças à ampla coligação formada por PP, União Brasil, PL, PSDB, MDB, Republicanos e Avante. O bloco reúne a maior bancada de deputados federais entre os partidos da disputa, garantindo ao atual governador ampla vantagem na exposição durante a campanha.

Fábio Trad aparece como o segundo candidato com maior tempo de televisão, sustentado pela federação formada por PT, PV e PCdoB, além das alianças com PSB e Podemos. Já Lucien Rezende contará apenas com o espaço destinado à federação PSOL/Rede.

Em situação oposta estão João Henrique Catan (Novo), Jeferson Bezerra (Agir) e Economista Renato (DC). Como suas legendas não atingiram a cláusula de desempenho nas eleições de 2022, eles não terão acesso ao horário eleitoral gratuito nem ao mesmo volume de recursos do fundo eleitoral.

Pesquisas mantêm cenário estável para o Senado

Os levantamentos divulgados ao longo do primeiro semestre pelos institutos Ranking Brasil Inteligência, IPR/Correio do Estado e Novo Ibrape indicam relativa estabilidade na disputa pelas duas vagas ao Senado.

O ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) aparece de forma consistente na liderança dos principais cenários pesquisados, mantendo desempenho estável desde o início do ano. Na sequência, Capitão Contar (PL) consolidou crescimento ao longo dos meses e passou a disputar tecnicamente a dianteira em alguns levantamentos, impulsionado pela confirmação de sua pré-candidatura pelo PL.

O senador Nelsinho Trad (PSD) preserva um eleitorado consolidado e permanece entre os primeiros colocados, embora encontre dificuldades para ampliar sua vantagem diante da polarização entre os principais nomes da disputa.

Já Vander Loubet e Soraya Thronicke aparecem em um segundo bloco das pesquisas. A avaliação do grupo governista é justamente que a unificação das candidaturas poderá reduzir essa desvantagem e tornar a chapa mais competitiva na reta final da campanha.

Com as convenções marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto, a expectativa é de que os próximos dias definam definitivamente as chapas e consolidem o desenho da disputa eleitoral em Mato Grosso do Sul, especialmente na corrida pelo Senado, que segue como o principal foco das articulações políticas no Estado.

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