
As articulações para as eleições de outubro aceleraram o ritmo em Mato Grosso do Sul e redesenharam o cenário político a poucos dias do início das convenções partidárias. Enquanto o grupo ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha para unificar sua estratégia na disputa pelo Senado, partidos da direita consolidam alianças para a corrida ao Governo do Estado e antigos diálogos entre legendas foram substituídos por trocas públicas de críticas.
A principal movimentação ocorre no campo governista. O deputado federal Vander Loubet (PT) confirmou que a senadora Soraya Thronicke (PSB) abriu mão da tentativa de reeleição para integrar sua chapa como primeira suplente. Segundo Vander, a proposta partiu da própria senadora e ainda depende apenas da aprovação do presidente Lula para ser oficializada. A avaliação do grupo é que uma candidatura única amplia a competitividade e evita a pulverização dos votos da base governista.
Caso a composição seja confirmada, o PT e o PSB abandonarão o plano inicial de lançar duas candidaturas ao Senado e passarão a concentrar recursos financeiros, estrutura partidária e o apoio político do presidente da República em um único nome. A mudança representa uma reavaliação da estratégia eleitoral após levantamentos internos indicarem dificuldades para conquistar uma vaga caso Vander e Soraya disputassem separadamente.
Enquanto isso, no campo da oposição ao governo federal, o cenário também passa por ajustes. A tentativa de aproximação entre o Partido Novo e o PRD fracassou antes mesmo de avançar. O presidente estadual do Novo, Guto Scarpanti, descartou qualquer composição com o ex-senador Delcídio do Amaral, citando seu histórico político. Delcídio respondeu afirmando que o PRD também não tem interesse em uma aliança e revelou aguardar uma definição da direção nacional sobre uma eventual candidatura própria ao Governo do Estado.
Outro fator que deve influenciar diretamente a campanha é a distribuição do tempo de propaganda no rádio e na televisão. Se confirmadas nas convenções, apenas três dos seis pré-candidatos ao Governo terão acesso ao horário eleitoral gratuito: o governador Eduardo Riedel (PP), o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) e Lucien Rezende (PSOL).
Riedel deverá concentrar a maior fatia da propaganda graças à ampla coligação formada por PP, União Brasil, PL, PSDB, MDB, Republicanos e Avante. O bloco reúne a maior bancada de deputados federais entre os partidos da disputa, garantindo ao atual governador ampla vantagem na exposição durante a campanha.
Fábio Trad aparece como o segundo candidato com maior tempo de televisão, sustentado pela federação formada por PT, PV e PCdoB, além das alianças com PSB e Podemos. Já Lucien Rezende contará apenas com o espaço destinado à federação PSOL/Rede.
Em situação oposta estão João Henrique Catan (Novo), Jeferson Bezerra (Agir) e Economista Renato (DC). Como suas legendas não atingiram a cláusula de desempenho nas eleições de 2022, eles não terão acesso ao horário eleitoral gratuito nem ao mesmo volume de recursos do fundo eleitoral.
Os levantamentos divulgados ao longo do primeiro semestre pelos institutos Ranking Brasil Inteligência, IPR/Correio do Estado e Novo Ibrape indicam relativa estabilidade na disputa pelas duas vagas ao Senado.
O ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) aparece de forma consistente na liderança dos principais cenários pesquisados, mantendo desempenho estável desde o início do ano. Na sequência, Capitão Contar (PL) consolidou crescimento ao longo dos meses e passou a disputar tecnicamente a dianteira em alguns levantamentos, impulsionado pela confirmação de sua pré-candidatura pelo PL.
O senador Nelsinho Trad (PSD) preserva um eleitorado consolidado e permanece entre os primeiros colocados, embora encontre dificuldades para ampliar sua vantagem diante da polarização entre os principais nomes da disputa.
Já Vander Loubet e Soraya Thronicke aparecem em um segundo bloco das pesquisas. A avaliação do grupo governista é justamente que a unificação das candidaturas poderá reduzir essa desvantagem e tornar a chapa mais competitiva na reta final da campanha.
Com as convenções marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto, a expectativa é de que os próximos dias definam definitivamente as chapas e consolidem o desenho da disputa eleitoral em Mato Grosso do Sul, especialmente na corrida pelo Senado, que segue como o principal foco das articulações políticas no Estado.