
Na véspera de Campo Grande completar 127 anos, a Capital amanheceu nesta terça-feira (25) sob o impacto de uma operação da Polícia Federal que colocou no centro das investigações uma aplicação de recursos da Previdência municipal.
Batizada de Operação Presciência, a ação apura possíveis irregularidades na aplicação de R$ 1,2 milhão do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. A ofensiva ocorreu justamente um dia antes do aniversário da cidade, celebrado nesta quarta-feira (26).
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Campo Grande. A Justiça Federal também autorizou medidas de afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. As ordens foram expedidas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande.
O inquérito apura, em tese, os crimes de gestão temerária, corrupção passiva e corrupção ativa. Segundo a Polícia Federal, a investigação teve origem em um relatório de auditoria do Ministério da Previdência Social, que apontou possíveis irregularidades no processo decisório que levou à aplicação dos recursos.
Um dos principais pontos de repercussão da operação é o fato de a vice-prefeita Camilla Nascimento ter sido alvo das buscas. Agentes federais estiveram na residência dela e também no gabinete que ocupa atualmente na Secretaria Municipal de Assistência Social.
Camilla presidia o IMPCG no período em que o investimento foi realizado. A operação também atingiu diretamente a sede do instituto, onde agentes recolheram materiais durante as diligências.
Segundo a PF, há indícios de que servidores envolvidos na decisão de investimento, por ação ou omissão, podem ter deixado de observar procedimentos técnicos e administrativos aplicáveis, expondo o patrimônio do regime próprio de previdência a riscos.
Apesar da investigação sobre a forma como o investimento foi realizado, a Prefeitura sustenta que não houve prejuízo financeiro aos cofres municipais.
O atual presidente do IMPCG, Marcos Tabosa, informou que o valor aplicado foi recuperado judicialmente, com rendimentos. A administração municipal também declarou que acompanha as investigações e que o investimento foi realizado em abril de 2024, dentro das regras então vigentes, segundo manifestação divulgada nesta terça-feira.
O investimento tinha vencimento previsto para 2029, mas a liquidação do Banco Master levou o município a adotar medidas judiciais para garantir a recuperação dos recursos.
A questão central da Operação Presciência não se limita à existência ou não de prejuízo financeiro. A Polícia Federal pretende esclarecer como a decisão de investir o dinheiro da Previdência foi tomada, quais procedimentos foram adotados e se houve eventual interferência ou favorecimento indevido.
O relatório que deu origem à investigação apontou possíveis falhas no processo decisório. A partir dos documentos e informações levantados, a PF busca identificar se houve responsabilidade individual de servidores ou terceiros e se as condutas podem configurar os crimes investigados.
A operação ainda está em fase de investigação e as suspeitas não representam, neste momento, condenação ou conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos alvos.
O caso coloca sob forte escrutínio uma aplicação de recursos previdenciários do município e ganha dimensão política adicional porque uma das pessoas alcançadas pelas buscas é justamente a vice-prefeita que comandava o instituto durante o período em que o investimento foi realizado.