
Uma denúncia envolvendo uma adolescente grávida de três meses mobilizou a Polícia Militar e a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul na sexta-feira (28). A jovem, de 17 anos, acusa um vizinho, de 20, de tê-la estuprado três vezes e afirma que foi ameaçada de morte para não revelar o que teria acontecido.
A denúncia ganhou força depois que a mãe da adolescente teria encontrado vídeos gravados pelo suspeito no celular dele. Segundo o registro policial, o homem também teria compartilhado o conteúdo. Os arquivos serão analisados pela Polícia Civil como parte da investigação.
Para preservar a identidade da vítima, o nome da cidade não será divulgado.
Conforme o boletim de ocorrência, a adolescente contou que cuidava de três crianças na residência do suspeito. Ela relatou que, durante os episódios, o homem teria segurado seu braço com força e impedido que ela deixasse o imóvel.
Os supostos abusos teriam acontecido em três ocasiões, no banheiro e no quarto.
Ainda segundo o relato da adolescente, o suspeito teria feito ameaças de morte para impedir que ela contasse o que havia ocorrido.
Depois dos episódios, a jovem procurou a mãe e relatou dores na barriga e na região genital. A mãe, posteriormente, teria acionado a Polícia Militar após tomar conhecimento dos vídeos.
O homem foi encaminhado à delegacia e negou ter utilizado violência. Segundo o registro policial, ele afirmou que a relação sexual teria sido consentida pela adolescente.
A versão apresentada pelo suspeito será confrontada com os demais elementos da investigação. Entre as provas que deverão ser analisadas estão os vídeos mencionados no boletim de ocorrência e os depoimentos das pessoas envolvidas.
Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade criminal do investigado.
O caso ganhou ainda outro desdobramento após o registro de que a irmã da adolescente, de apenas 12 anos, também teria sido alvo de comportamentos atribuídos ao mesmo homem.
Segundo o boletim, ele teria perseguido a menina, tentado beijá-la à força e enviado mensagens propondo um relacionamento.
Questionado sobre as mensagens, o suspeito admitiu ter enviado textos e áudios quando estava embriagado, mas negou que tivesse perseguido a adolescente.
A situação envolvendo a menina de 12 anos também deverá ser apurada pelas autoridades.
A Polícia Civil ficará responsável por aprofundar a investigação e verificar as circunstâncias dos fatos narrados pelas adolescentes. Os vídeos encontrados no celular do suspeito serão submetidos à análise, juntamente com os demais elementos que possam esclarecer o caso.
A investigação deverá determinar se houve violência, ameaça, impedimento de saída e demais circunstâncias relatadas pela adolescente, além de apurar o conteúdo envolvendo a irmã de 12 anos.
Em Campo Grande, mulheres e meninas vítimas de violência podem procurar a Casa da Mulher Brasileira, que concentra serviços especializados de atendimento e proteção. A unidade funciona 24 horas e reúne, entre outros serviços, atendimento psicológico e social, Delegacia Especializada, Defensoria Pública, Ministério Público, medidas protetivas e Patrulha Maria da Penha.
Em situações de emergência, a orientação é ligar para o 190. O Ligue 180 oferece orientação e recebe denúncias relacionadas à violência contra a mulher.
A preservação da identidade de crianças e adolescentes envolvidos em casos dessa natureza é obrigatória, por isso a reportagem não divulga o nome da vítima nem da cidade onde os fatos foram registrados.