Segunda, 21 de Setembro de 2026

Crianças no chão, banho gelado e denúncias de agressões: creche de MS é investigada

Imagens e relatos de mães apontam supostas agressões, uso de spray no rosto e condições inadequadas; Polícia Civil e Conselho Tutelar acompanham a apuração em Nova Andradina

21/09/2026 às 15h15
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Uma série de denúncias envolvendo supostos maus-tratos contra crianças levou o Espaço Pedagógico Tia Lú, estabelecimento particular de Nova Andradina, a suspender temporariamente as atividades. O caso ganhou repercussão após fotos e vídeos feitos no local circularem pelas redes sociais e mostrarem crianças deitadas no chão e em placas de EVA durante momentos de descanso.

Segundo relatos apresentados por um grupo de mães e por uma advogada que acompanha as famílias, as denúncias incluem puxões de cabelo, tapas, apertões, banhos com água fria e crianças que teriam sido obrigadas a comer. Uma das acusações mais graves envolve uma suposta orientação para que agressões fossem feitas na cabeça por, segundo o relato, não deixarem marcas visíveis.

As famílias também relatam o uso de um spray durante episódios de choro ou agitação. Em um dos vídeos divulgados, uma mulher aparece borrifando uma substância no rosto de crianças que não queriam dormir. Segundo os relatos apresentados pelas mães, o produto seria utilizado para tentar conter o choro.

Crianças dormiam no chão

As imagens que motivaram a denúncia também levantaram questionamentos sobre as condições do espaço. Registros mostram crianças descansando sobre placas de EVA e diretamente no chão, inclusive em corredores. Fotografias também mostram berços, colchões e outras estruturas com sinais de desgaste. Há ainda imagens de utensílios utilizados pelas crianças armazenados próximos a produtos de limpeza.

As mensagens compartilhadas entre mães e ex-funcionárias ainda fazem outras acusações relacionadas à higiene, ao atendimento e às condições dos berços. Esses relatos, contudo, ainda não foram confirmados pelas autoridades e fazem parte da investigação em andamento.

Conselho Tutelar e Polícia Civil investigam

Na sexta-feira (18), equipes da Polícia Militar e do Conselho Tutelar estiveram no estabelecimento para verificar as denúncias. Durante a vistoria, foram observadas e registradas as condições do ambiente e dos equipamentos utilizados pelas crianças. O caso foi encaminhado à Polícia Civil, que deverá apurar as circunstâncias e verificar eventual ocorrência de crimes.

O Conselho Tutelar também encaminhou o caso ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).

Até o momento, as denúncias apresentadas pelas famílias não representam uma conclusão sobre a ocorrência dos supostos crimes. A confirmação ou não dos fatos dependerá da investigação conduzida pelos órgãos responsáveis.

Prefeitura esclarece que espaço é particular

A Prefeitura de Nova Andradina informou que o Espaço Tia Lú não possui vínculo com a Administração Municipal e não integra a Rede Municipal de Ensino. Conforme o município, trata-se de um estabelecimento particular contratado diretamente pelas famílias para o cuidado e permanência temporária de crianças.

A administração municipal informou que, assim que tomou conhecimento das denúncias, os órgãos competentes foram acionados e adotaram as providências cabíveis dentro de suas atribuições.

Creche diz que colaborará com investigação

Em manifestação divulgada após a repercussão do caso, o Espaço Pedagógico Tia Lú afirmou ter interesse no esclarecimento integral dos fatos e declarou que sempre pautou suas atividades pelo respeito, cuidado e dignidade das crianças.

A instituição informou ainda que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com a apuração. Por decisão própria, anunciou a suspensão temporária das atividades enquanto o caso é investigado. A direção também afirmou que preservará a privacidade das crianças e dos demais envolvidos.

O caso segue sob investigação e deverá esclarecer a origem das imagens, a veracidade dos relatos apresentados pelas famílias e se houve eventual violação dos direitos das crianças atendidas no estabelecimento.

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