Sexta, 27 de Fevereiro de 2026
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Haddad diz que chuvas no RS geram pressão inflacionária temporária e não afetam política monetária

Ministro da Fazenda destaca foco do Banco Central no médio e longo prazo, minimizando impacto imediato nas decisões sobre a Selic

25/06/2024 às 08h38
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta terça-feira (25) que a pressão inflacionária decorrente das fortes chuvas no Rio Grande do Sul, mencionadas na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) como fonte de incertezas, impacta apenas a inflação de curto prazo. "Acredito que tem uma pressão, uma pequena pressão inflacionária em função do que aconteceu no Rio Grande do Sul. Essa é uma inflação que afeta o curto prazo", afirmou Haddad a jornalistas na manhã de hoje.

Pressão de curto prazo

Segundo Haddad, o foco do Banco Central é no médio e longo prazo, o que minimiza a importância dos eventos climáticos recentes na formulação da política monetária. "O horizonte do Banco Central é de médio e longo prazo. Não faz muito sentido levar em consideração o que está acontecendo em função do Rio Grande do Sul para fins de política monetária. Porque o juro de hoje está afetando 12, 18 meses para a frente", explicou o ministro.

Incertezas relatadas pelo Copom

De acordo com a ata do Copom, existe uma grande incerteza sobre os efeitos econômicos das enchentes e inundações no Rio Grande do Sul. A diretoria do BC destacou que "permanecem incertezas sobre a intensidade da queda de atividade e sua recuperação subsequente, bem como sobre o aumento do estoque de capital, causado pelas enchentes e inundações".

Nos últimos dias, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros, a Selic, inalterada em 10,50% ao ano. A decisão foi tomada em um contexto de aceleração da inflação, influenciada principalmente pela alta nos preços dos alimentos e pela valorização do dólar. Com essa decisão, o BC interrompeu o ciclo de cortes de juros, mantendo a Selic em 10,50% ao ano até a próxima reunião do Copom, marcada para os dias 30 e 31 de julho.

Avaliação de Haddad

Para o ministro da Fazenda, a ata do Copom está alinhada com o comunicado emitido anteriormente, sem apresentar grandes novidades. "A ata está muito aderente ao comunicado, não tendo nada de muito diferente no comunicado", comentou Haddad, destacando que essa consistência é positiva porque "transmite a ideia de que está tendo uma interrupção para avaliar o cenário interno e externo, para que o Copom fique à vontade para tomar decisões a partir de novos dados".

Possíveis ajustes futuros

O documento do Copom também mencionou que "eventuais ajustes futuros" na taxa de juros serão orientados pelo compromisso firme de convergência da inflação à meta. Questionado sobre a possibilidade de a Selic voltar a subir após meses de cortes, Haddad reforçou que o BC fala apenas em uma interrupção do ciclo de cortes, sem sinalizar um aumento iminente. "Se for necessário, sempre vão acontecer [ajustes]. O que é importante frisar é que a diretoria [do Banco Central] fala numa interrupção do ciclo [de cortes dos juros] e me parece que essa é uma diferença importante para se salientar", declarou o ministro.

Com isso, o governo federal continua atento ao cenário econômico, monitorando as variáveis internas e externas que possam influenciar a inflação e, consequentemente, a política monetária do país.

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*Com informações Metrópoles

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