Sexta, 27 de Fevereiro de 2026
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PF investiga fraude no cartão de vacina de Bolsonaro: Ex-prefeito de Duque de Caxias é alvo

Segunda fase da operação visa desmantelar esquema de inserção de dados falsos nos sistemas de saúde

04/07/2024 às 08h44
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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Nesta quinta-feira (4), a Polícia Federal deu início à segunda fase da Operação Venire, investigando supostas fraudes nos cartões de vacinação da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022. Os alvos principais são Washington Reis (MDB), secretário estadual de Transportes do Rio e ex-prefeito de Duque de Caxias, e Célia Serrano, secretária de Saúde de Caxias.

Na atual fase, a PF cumpre mandados de busca e apreensão contra esses agentes públicos, suspeitos de facilitar a inserção de dados falsos de vacinação nos sistemas do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) e na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), ambos administrados pelo Ministério da Saúde. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Além de coletar provas contra Reis e Serrano, a operação também busca identificar novos beneficiários do esquema fraudulento. No total, dois mandados estão sendo cumpridos nas cidades do Rio de Janeiro (RJ) e Duque de Caxias (RJ).

Primeira fase da Operação Venire

A primeira fase da Operação Venire, deflagrada em maio do ano passado, revelou a existência de uma associação criminosa dedicada à inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas SI-PNI e RNDS. A investigação indicou que o objetivo era beneficiar pessoas próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo o ministro do STF Alexandre de Moraes, essas inserções fraudulentas alteraram a condição de imunização dos beneficiários, permitindo que eles burlassem restrições sanitárias impostas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. "Com isso, tais pessoas puderam emitir os respectivos certificados de vacinação e utilizá-los para burlarem as restrições sanitárias vigentes impostas pelos poderes públicos (Brasil e Estados Unidos) destinadas a impedir a propagação de doença contagiosa, no caso, a pandemia de Covid-19", escreveu Moraes na decisão que autorizou a operação, datada de 28 de abril.

A PF descobriu a falsificação de carteiras de vacinação emitidas pelas secretarias de Saúde do estado de Goiás e do município de Duque de Caxias (RJ), com tentativas de inserir dados falsos nos sistemas do Ministério da Saúde. No caso do Rio de Janeiro, a fraude beneficiou Gabriela Santiago Ribeiro Cid, esposa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Mauro Cid teria buscado alternativas para criar um certificado físico de vacinação contra a Covid-19 para sua esposa e para Luis Marcos dos Reis, então integrante da Ajudância de Ordens da Presidência da República. Houve também tentativa de inclusão de Farley Vinicius Alcantara, sobrinho de Reis, e do militar Eduardo Crespo Alves nos dados falsos do sistema do Ministério da Saúde.

Conforme a PF, certificados de vacinação contra a Covid-19 foram emitidos no nome do ex-presidente Jair Bolsonaro no aplicativo ConecteSUS, com um dos documentos sendo emitido um dia após a inserção dos dados fraudulentos no sistema, ação suspeita de ter sido realizada por Mauro Cid. Na época, policiais federais cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Bolsonaro em Brasília, apreendendo seu celular.

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*Com informações Metrópoles

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