Domingo, 21 de Julho de 2024
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Vaticano: Papa Bento XVI morre aos 95 anos

“A Igreja não pode admitir nas Ordens Sacras aqueles que praticam a homossexualidade, pedofilia e apoio ao aborto" - Papa Bento XVI

31/12/2022 às 06h45 Atualizada em 31/12/2022 às 17h05
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Bento XVI foi nomeado papa no dia 19 de abril de 2005, após a morte de João Paulo 2°
Bento XVI foi nomeado papa no dia 19 de abril de 2005, após a morte de João Paulo 2°

O papa emérito Bento XVI morreu aos 95 anos neste sábado (31), conforme anúncio do Vaticano. 

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Ratzinger nasceu em 16 de abril de 1927 na cidade de Marktl, mas passou boa parte da infância e adolescência em Traunstein, perto da fronteira com a Áustria.

De família humilde e o mais novo de três irmãos, entrou para o seminário aos 12 anos e era fluente em diversas línguas, entre elas grego e latim. Mais tarde, fez doutorado em teologia na Universidade de Munique.

Ele foi escolhido papa no dia 19 de abril de 2005, após a morte de João Paulo 2°, no mesmo ano.

Ortodoxo, Ratzinger era conhecido por transitar entre os conservadores com mais facilidade e um dos favoritos para a sucessão papal, mesmo não sendo oficialmente a sua vontade.

Bento XVI, no entanto, também viria a ser o primeiro papa a renunciar em 600 anos, após a Igreja Católica se tornar alvo de escândalos envolvendo acusações de corrupção e pedofilia.

Opositor ao regime de Adolf Hitler

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Em um período de ascensão do regime nazista na Alemanha, Ratzinger optou por focar na igreja. 

Mesmo com a decisão, e com o pai também se opondo ao regime de Adolf Hitler, Ratzinger entrou obrigatoriamente para a força auxiliar do Exército em 1941, mesma época em que integrou o seminário preparatório, aos 14 anos.

Já no final da Segunda Guerra Mundial, foi convocado para ajudar nos serviços antiaéreos, desertou no ano de 1945 após ser capturado por soldados norte-americanos e ficar preso por meses.

Ratzinger, então, decidiu voltar para o seminário, e a sua ordenação saiu em junho de 1951. Com a batina, o novo padre seguiu nos estudos em teologia e na carreira acadêmica em diversas instituições de ensino europeias, lecionando nas universidades de Bonn e de Muester e ocupando o cargo de vice-reitor na Universidade de Regensburg.

Conhecido por suas profundas reflexões no universo teológico, Bento XVI tem publicações, em diversos formatos, que são conhecidas mundialmente. As obras “Dogma e Revelação” e “Introdução ao Cristianismo”.

Trajetória na Igreja Católica

Em 1977, foi nomeado arcebispo de Munique e Freising e a sua sagração episcopal foi oficializada no ano seguinte. Tornou-se o primeiro padre diocesano a assumir a arquidiocese da Baviera.

No mesmo ano foi nomeado cardeal e participou de conclaves que elegeram João Paulo 1° e João Paulo 2°.

Este último o ordenou prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé – o antigo Tribunal da Inquisição, que ficou conhecido historicamente por perseguir e punir quem se desviava das condutas impostas pela Igreja.

Em 1982, Ratzinger renunciou ao governo pastoral da arquidiocese de Munique. Em 1998, com a nomeação para vice-decano do Colégio Cardinalício, Ratzinger ficou ainda mais próximo do cargo de chefe de Estado do Vaticano.

Com o nome aprovado pelo Papa João Paulo 2º, sua eleição para decano foi aceita em 2002.

Eleição

Com a morte de João Paulo 2° em 2 de abril de 2005, cerca de 1.115 cardeais, realizaram quatro votações, e apenas no fim do dia de 19 de abril a chaminé do Vaticano soltou uma fumaça branca, anunciando assim a escolha de um novo pontífice, anunciado em 24 de abril de 2005, em uma missa especial realizada na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Pedofilia e Homossexualidade

Por defender uma Igreja conservadora e fazer afirmações contrárias à adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo, foi criticado por parte da imprensa. Temas como aborto, pedofilia e homossexualidade também foram alvo de discussão.

Em documento registrado no site do Vaticano, o antigo papa chegou a impor restrições aos sacerdotes em seminários.

“A Igreja não pode admitir no Seminário e nas Ordens Sacras aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam profundas tendências homossexuais ou apoiam a chamada cultura gay”, comunicou.

Algumas declarações foram dadas durante a sua primeira viagem à América Latina, visitando o Brasil, em maio de 2007.

Ele veio para 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho, no Santuário de Aparecida, em São Paulo, para a canonização de Frei Galvão, que tornou-se Santo Antônio de Sant’Anna Galvão.

Em sua passagem pelo país, fez duras críticas à imprensa por considerar que ela não valoriza o casamento e “faz pouco” pela virgindade dos solteiros.

Também criticou o aborto, a pesquisa com embriões e eutanásia, e chegou a negar que a Igreja tenha batizado à força os índigenas do continente americano.

Além disso, fez um apelo para que os governos apoiem as mulheres que optam por ficar em casa para cuidar da família. Bento XVI também foi alvo de críticas quanto a casos de pedofilia envolvendo sacerdotes espalhados pelo mundo.

Acusado de omissão, o papa emérito teve que demitir diversos bispos e promoveu uma “limpeza” depois de um dos escândalos mais emblemáticos ser revelado. O caso envolvia um padre mexicano que faleceu em 2008. O sacerdote Marcial Maciel abusou sexualmente de diversos seminaristas e teve filhos com inúmeras mulheres.

Riscos

Bento XVI também foi alvo de tentativas de agressão durante o período de governança. Um deles ocorreu em 2007, quando um homem ultrapassou o bloqueio de segurança da Praça de São Pedro e tentou entrar no veículo que transportava o papa entre os fiéis. Uma mulher, Susanna Maiolo, também atentou contra Bento XVI duas vezes, em 2007 e 2008.

A renúncia ao papado

Em fevereiro de 2013, aos 85 anos, Bento XVI renunciou ao cargo. Em anúncio feito durante uma reunião com os cardeais, ele revelou o real estado de sua saúde.

“Após ter repetidamente examinado minha consciência perante Deus, eu tive certeza de que minhas forças, devido à avançada idade, não são mais apropriadas para o adequado exercício do ministério de Pedro.”

Ele foi substituído pelo argentino Jorge Mario Bergoglio, intitulado Francisco, em 13 de março de 2013.

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