Sexta, 02 de Janeiro de 2026

“Concentração de poder ou abuso de autoridade?”: Revista inglesa critica protagonismo excessivo de Moraes

Matéria da The Economist questiona os limites das ações do ministro e sugere que STF se tornou palco de decisões personalistas

17/04/2025 às 16h27 Atualizada em 17/04/2025 às 18h19
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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O protagonismo de Alexandre de Moraes no cenário jurídico e político brasileiro é motivo de controvérsia, e a revista inglesa The Economist não poupou críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Publicado nesta quarta-feira (16), o artigo descreve Moraes como uma figura “superstar” que concentra poder de forma desmedida, levantando questionamentos sobre a imparcialidade e os impactos de suas decisões no sistema democrático.

A publicação aponta para uma atuação que ultrapassa os limites esperados de um magistrado, atribuindo ao ministro o título de “juiz mais poderoso do mundo” em função de seu papel central em decisões que repercutem diretamente no cenário político. Apesar de Moraes justificar suas medidas como técnicas, o artigo da The Economist sugere que suas decisões refletem interesses pessoais e até autoritários, abrindo espaço para a comparação com um “ditador tirânico”, como o chamou o bilionário Elon Musk.

O STF como palco de espetáculo e excessos

A crítica da revista não se limita à figura de Moraes, mas também ao modelo de funcionamento do STF, que teria se transformado em palco de espetáculo. A transmissão ao vivo de sessões e a presença do tribunal em redes sociais como TikTok são vistas como reflexo de uma judicialização excessiva da política. Segundo a The Economist, isso confere um ar de celebridade aos ministros e transforma o Supremo em uma entidade mais midiática do que institucional.

No caso de Moraes, suas decisões mais controversas, como a suspensão de contas pró-Bolsonaro e o bloqueio da plataforma X em 2024, são apontadas como exemplos de um ativismo judicial que ameaça a liberdade de expressão e ultrapassa os princípios do Estado de Direito. A revista afirma que, embora a internet brasileira seja de fato um território de desinformação, as medidas adotadas por Moraes configuram “graves excessos”.

Contradições e favoritismos?

A revista também questiona o histórico político de Moraes, que sempre esteve ligado a figuras de centro-direita. Suas posições, como a defesa da privatização de estatais e do uso da força para reprimir protestos, são vistas como incompatíveis com a postura de um juiz imparcial. Ao mesmo tempo, sua relação conflituosa com bolsonaristas e decisões punitivas contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro levantam dúvidas sobre sua real neutralidade.

A crítica mais contundente, porém, está no risco de Moraes ser visto como uma figura acima da lei. A The Economist sugere que o ministro, em vez de atuar como guardião do equilíbrio democrático, muitas vezes age como uma autoridade centralizadora e personalista, colocando sua própria interpretação acima do coletivo.

O Brasil e seus “superjuízes”

A análise britânica vai além do caso de Moraes, apontando uma característica peculiar do Brasil: o poder exacerbado dos ministros do STF. Esse protagonismo, segundo a revista, mina a credibilidade da Corte e alimenta a polarização política, com ministros se tornando alvos de idolatria ou ódio, em vez de serem vistos como operadores da Justiça.

Alexandre de Moraes, apelidado de “Xandão” pelos admiradores e de “Darth Vader” pelos críticos, simboliza os desafios enfrentados pelo STF. Em uma democracia, a independência do Judiciário é fundamental, mas, como aponta a The Economist, a concentração de poder sem limites claros pode abrir espaço para autoritarismos disfarçados de legalidade. A pergunta que fica é: até onde Moraes pode ir antes que seu protagonismo coloque em risco a própria democracia que diz proteger?

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*Com informações Metrópoles

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