
A menos de uma eleição presidencial, o setor industrial brasileiro mandou um recado direto aos futuros ocupantes do Palácio do Planalto: sem redução de impostos, controle dos gastos públicos e um ambiente mais favorável aos investimentos, o crescimento econômico continuará enfrentando obstáculos.
Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que a carga tributária e o desequilíbrio das contas públicas estão entre as maiores preocupações dos empresários brasileiros. O levantamento mostra que 29% dos executivos da indústria consideram a redução de impostos e a consolidação da reforma tributária como a principal prioridade para o próximo governo federal.
Logo atrás, 22% apontam a necessidade de equilíbrio fiscal e melhoria da gestão pública, evidenciando a preocupação do setor produtivo com o aumento dos gastos governamentais e seus reflexos sobre a economia.
Os números reforçam uma cobrança crescente de empresários que veem no chamado "Custo Brasil" um dos principais entraves para a competitividade nacional. Na avaliação dos entrevistados, o peso dos tributos continua sufocando empresas, reduzindo investimentos e dificultando a geração de empregos.
A preocupação aparece de forma ainda mais contundente quando os empresários analisam o ambiente de negócios. Para 45% deles, a redução de impostos é a principal medida necessária para melhorar as condições de atuação das empresas. Outros 26% defendem a redução dos juros e a ampliação do crédito, enquanto 21% apontam o incentivo à indústria e à produção como caminho para impulsionar a economia.
O levantamento também revela que a insatisfação vai além da questão tributária. Quando questionados sobre as prioridades nacionais, 71% dos empresários defenderam a redução dos encargos sobre a folha de pagamento para estimular a contratação de trabalhadores.
Na área da saúde, quase metade dos entrevistados apontou o combate à corrupção e ao desvio de recursos como medida prioritária. Já na segurança pública, o foco recaiu sobre o enfrentamento ao tráfico de drogas e ao crime organizado.
A questão fiscal também aparece diretamente ligada ao problema dos juros elevados. Para 72% dos industriais, o próximo governo precisa promover cortes de gastos e reduzir o endividamento público para criar condições de uma queda sustentável da taxa de juros.
O resultado da pesquisa expõe um sentimento cada vez mais presente no setor produtivo: a percepção de que o Brasil precisa avançar em reformas estruturais para recuperar competitividade e ampliar sua capacidade de crescimento.
Para os empresários, a equação é simples. Sem controle das despesas públicas, sem segurança fiscal e sem redução da carga tributária, o país continuará enfrentando dificuldades para atrair investimentos, expandir a produção e gerar empregos em ritmo compatível com as necessidades da população.
O recado do setor industrial chega em um momento decisivo do debate nacional e deve aumentar a pressão sobre os candidatos que disputarão a Presidência da República, especialmente em temas que impactam diretamente o bolso dos brasileiros e a capacidade de crescimento da economia.