
A estratégia do Partido dos Trabalhadores (PT) para ampliar o diálogo com os segmentos religiosos ganhou um novo capítulo nesta semana. Após realizar um encontro voltado ao público evangélico, a legenda reuniu lideranças católicas e oficializou, por meio de uma carta pública, apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao mesmo tempo em que criticou o uso de igrejas como instrumento de disputa eleitoral.
O documento foi divulgado após o 1º Encontro Nacional de Católicas e Católicos do PT e abre com um trecho do Evangelho de João. Ao longo do texto, o grupo afirma que pretende fortalecer a presença de católicos no campo político, ampliar a participação de mulheres, jovens e trabalhadores e reafirmar o compromisso do partido com pautas sociais e democráticas.
A carta também faz um recado direto aos adversários políticos ao condenar o que chama de transformação das igrejas em "palanques". Segundo o documento, há parlamentares que utilizam a religião para fins eleitorais enquanto, na visão do grupo, atuam contra direitos sociais, trabalhistas e democráticos. A manifestação ocorre em um momento em que a disputa pelo eleitorado cristão se tornou uma das principais frentes da corrida presidencial de 2026.
Outro ponto destacado é a defesa do Estado laico e da liberdade religiosa. Os petistas afirmam rejeitar qualquer forma de intolerância ou discriminação religiosa e sustentam que a participação dos católicos na política deve ocorrer sem confundir instituições religiosas com estruturas partidárias. Apesar do posicionamento, a carta evita temas tradicionalmente sensíveis para o eleitorado cristão, como aborto e outras pautas de costumes que costumam gerar forte polarização.
Além da defesa da reeleição de Lula, o grupo atribui ao atual governo avanços em programas sociais e reafirma apoio a propostas como o fim da escala 6x1, reforma agrária, fortalecimento das políticas públicas e ampliação dos direitos sociais. O documento também resgata a ligação histórica do PT com as Comunidades Eclesiais de Base, a Teologia da Libertação e pastorais da Igreja Católica, afirmando que esses movimentos estiveram entre os pilares da fundação do partido.
A divulgação da carta reforça a estratégia do PT de intensificar a aproximação com diferentes segmentos religiosos em um cenário pré-eleitoral marcado pela disputa por votos entre os cristãos. Nas últimas semanas, a legenda promoveu encontros específicos com evangélicos e católicos, buscando consolidar apoio de grupos que terão peso decisivo na eleição presidencial de 2026.