Sexta, 27 de Fevereiro de 2026
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Lula propõe expansão do indulto como solução para superlotação carcerária

Medida surge após rejeição do veto presidencial ao fim das “saidinhas” e visa aliviar a crise no sistema penitenciário brasileiro

06/08/2024 às 09h32
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, apresentou um novo plano nacional para o período de 2024 a 2027, focado em combater a superlotação carcerária. Dentre as propostas, destaca-se a sugestão de "ampliação das hipóteses de indulto" como uma solução potencial para o problema crescente nas prisões brasileiras.

A proposta surge em um contexto de recente rejeição do Congresso Nacional ao veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Projeto de Lei (PL) 14.843/24, que encerrou as "saidinhas", um benefício que permitia a saída temporária dos detentos. A ampliação dos indultos e outras medidas foram discutidas como alternativas para enfrentar o problema da superlotação, que já é uma realidade crítica nas penitenciárias do país.

De acordo com dados divulgados pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), o Brasil registrou 650.822 detentos em regime fechado e 201.188 em prisão domiciliar no segundo semestre de 2023. O Plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária também propõe o monitoramento das audiências de custódia e da atuação da Defensoria Pública, além de abordar dez pontos críticos relacionados à superlotação, incluindo:

  • Dificuldades de acesso à justiça e assistência judiciária, especialmente no interior dos estados.
  • Falta de opções de penas alternativas e medidas cautelares.
  • Avanços tímidos na legislação sobre justiça consensual.
  • Excessivo número de penas de prisão e aplicação inadequada de penas alternativas.
  • Carência de vagas prisionais e desafios na abertura de novas vagas.
  • Insuficiente oferta de suporte ao egresso e dificuldades no gerenciamento das vagas prisionais.

O CNPCP também sugere medidas como a antecipação da liberdade com ou sem monitoramento eletrônico, conforme as recomendações do Supremo Tribunal Federal (STF), que permitiu a liberação antecipada de detentos devido à falta de espaço no sistema prisional.

O plano do CNPCP visa estabelecer bases para uma política criminal e penitenciária mais eficaz e sustentável, abordando os desafios do sistema de justiça criminal e da administração penitenciária brasileira para o século XXI. As propostas surgem após a derrota do governo no Congresso, refletindo a necessidade urgente de novas abordagens para o sistema prisional.

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*Com informações Folha Destra

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