Sexta, 27 de Fevereiro de 2026
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Barroso e ministros do STF minimiza revelações sobre atuação de Moraes em inquérito das Fake News

Em resposta às alegações da Folha de S.Paulo, presidente do STF considera que procedimentos estavam dentro da legalidade e aguarda novas evidências para se pronunciar

14/08/2024 às 10h30
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, e outros integrantes da corte têm procurado minimizar as recentes revelações da Folha de S.Paulo sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes no inquérito das fake news. De acordo com a reportagem, o ministro teria usado informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de maneira não formal para avançar com o inquérito, uma prática que supostamente ignorou solicitações e ofícios entre as duas cortes.

Segundo o jornal, o setor de combate à desinformação do TSE forneceu material ao gabinete de Moraes através de mensagens de WhatsApp, ao invés de seguir os procedimentos formais. O gabinete de Moraes, por sua vez, assegura que a coleta de informações foi realizada "nos termos regimentais" e de acordo com um protocolo de cooperação assinado em maio de 2022 por Edson Fachin, então presidente do TSE, e Luiz Fux, que presidia o STF.

Em uma análise preliminar das mensagens, Barroso não identificou nenhuma "ilegalidade gritante" e indicou que aguardará novas revelações antes de se posicionar oficialmente. Outros ministros, como Gilmar Mendes e Edson Fachin, compartilhariam uma opinião semelhante em discussões internas.

A Vaza Toga, que se refere à troca de mensagens entre assessores de Moraes, revela que Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da assessoria de combate à desinformação do TSE, e o juiz instrutor Airton Vieira trocaram informações de maneira informal sobre aliados de Jair Bolsonaro, que foram usadas no inquérito das fake news.

Ministros como Mendes e Fachin argumentam que o setor de combate à desinformação do TSE não possuía autoridade para realizar diligências ou quebras de sigilo, limitando-se a coletar dados de fontes abertas, o que não configuraria crime. A troca de informações entre gabinetes é considerada uma prática habitual e não necessariamente ilegal.

Apesar das minimizações, há uma crescente preocupação entre alguns ministros do STF com o protagonismo de Moraes. Nos bastidores, a situação levanta discussões sobre a possibilidade de recuo em algumas de suas decisões, com o objetivo de manter a harmonia interna do tribunal.

Nenhum dos envolvidos, incluindo Moraes e Vieira, respondeu aos pedidos de comentário da Folha de S.Paulo. Eduardo Tagliaferro, que deixou o TSE em maio de 2023, afirmou cumprir todas as ordens e não se lembrar de qualquer ilegalidade associada às suas ações.

Principais Pontos:

  • Barroso e outros ministros minimizam alegações de irregularidades.
  • A Vaza Toga revela troca informal de informações entre TSE e STF.
  • Discussões internas no STF sobre o impacto do protagonismo de Moraes.

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*Com informações Terra Brasil

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