
O avanço da Operação Compliance Zero colocou o Partido dos Trabalhadores (PT) no centro de uma das investigações mais explosivas do cenário político nacional às vésperas da campanha eleitoral de 2026. A nona fase da operação, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), teve como principal alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e uma das figuras mais influentes da legenda.
Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. As investigações apuram supostas ligações entre Wagner e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, instituição que está no epicentro de um dos maiores escândalos financeiros e políticos do país.
A operação ganhou ainda mais repercussão após investigadores apreenderem cerca de US$ 55 mil em espécie e 33,5 mil euros durante as diligências realizadas em endereços ligados ao senador e pessoas próximas ao seu núcleo político e familiar, segundo informações divulgadas pela imprensa nacional.
De acordo com a decisão do STF, a Polícia Federal investiga suspeitas de que executivos ligados ao Banco Master possam ter oferecido vantagens indevidas ao parlamentar em troca de influência política. Entre os benefícios sob apuração estariam pagamentos, utilização de aeronaves particulares e negociações imobiliárias. O caso, entretanto, ainda está em fase de investigação e não há denúncia formal apresentada contra o senador.
O impacto político é imediato. Jaques Wagner é considerado um dos principais articuladores do governo Lula no Congresso Nacional e peça estratégica para a manutenção da hegemonia petista na Bahia, Estado governado pelo partido há duas décadas. Além disso, ele é pré-candidato à reeleição ao Senado e figura central no palanque do governador Jerônimo Rodrigues.
A nova ofensiva da Polícia Federal também amplia o desgaste do governo federal ao aproximar a investigação do núcleo político mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Analistas avaliam que o caso tem potencial para se transformar em um dos principais temas da disputa eleitoral deste ano, especialmente por envolver um aliado histórico do presidente.
O Banco Master já vinha provocando abalos em diferentes setores da política brasileira. Fases anteriores da Operação Compliance Zero atingiram empresários, executivos do sistema financeiro e políticos de diferentes espectros ideológicos, incluindo nomes ligados à oposição e ao Centrão.
Em nota oficial, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, saiu em defesa de Jaques Wagner, afirmando que o senador possui a confiança da legenda e terá oportunidade de esclarecer os fatos durante as investigações. O partido também declarou apoio à apuração dos fatos e afirmou que eventuais responsáveis por irregularidades devem ser punidos.
Enquanto a investigação avança, o episódio abre uma nova frente de desgaste para o PT e coloca pressão sobre uma evolução das apurações pode influenciar não apenas a disputa na Bahia, mas também o ambiente político nacional e os planos de reeleição do presidente Lula.