Segunda, 29 de Junho de 2026

Lula no radar, guerra judicial e disputa no PL agitam os bastidores da eleição em Mato Grosso do Sul

PT aposta em visita presidencial para fortalecer palanque, Justiça amplia cerco ao uso de inteligência artificial na campanha e definição das candidaturas ao Senado provoca tensão entre aliados

29/06/2026 às 17h00
Por: Tatiana Lemes
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Foto: Reprodução
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A corrida eleitoral em Mato Grosso do Sul ganhou novos ingredientes nesta semana. Enquanto o Partido dos Trabalhadores trabalha para incluir o Estado na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha, decisões da Justiça Eleitoral endurecem as regras para o uso de inteligência artificial na propaganda política, e o Partido Liberal enfrenta um delicado impasse para definir quem disputará uma das duas vagas ao Senado.

No campo governista, o presidente estadual do PT e pré-candidato ao Senado, Vander Loubet, demonstra confiança de que Lula cumprirá agenda em Mato Grosso do Sul durante a campanha. A avaliação do deputado é de que o Estado ganhou importância estratégica pelo fato de o PT lançar um número reduzido de candidatos próprios aos governos estaduais, o que abriria espaço para maior participação do presidente nos palanques considerados prioritários.

Caso a visita se confirme, será o retorno de Lula ao Estado em uma campanha presidencial depois de mais de uma década. A última participação ativa ocorreu em 2014, quando esteve em Mato Grosso do Sul para reforçar a candidatura do então petista Delcídio do Amaral ao Governo do Estado. Desde então, o Estado ficou fora do roteiro das principais agendas presidenciais, reflexo também do reduzido peso eleitoral sul-mato-grossense no cenário nacional.

Enquanto o PT busca fortalecer sua estratégia eleitoral, a Justiça Eleitoral passou a impor limites mais rígidos ao uso de conteúdos produzidos por inteligência artificial. Em duas decisões distintas, magistrados determinaram a retirada dos episódios 3 e 4 da série "Os Intocáveis MS", divulgada pelo pré-candidato ao Governo João Henrique Catan. As decisões entenderam que os vídeos utilizavam recursos de IA sem a identificação obrigatória prevista na legislação eleitoral e continham conteúdo potencialmente desinformativo e ofensivo à honra de agentes públicos. A Justiça também proibiu novas divulgações semelhantes, sob pena de multa diária.

As decisões reforçam uma tendência que deve marcar a campanha de 2026: o aumento da fiscalização sobre materiais digitais produzidos com inteligência artificial, principalmente aqueles impulsionados nas redes sociais e capazes de alcançar centenas de milhares de visualizações em curto espaço de tempo.

Nos bastidores da oposição, a disputa mais sensível continua sendo a definição das candidaturas do PL ao Senado. Com uma vaga praticamente reservada ao ex-governador Reinaldo Azambuja, resta ao partido escolher apenas um entre Capitão Contar e o deputado federal Marcos Pollon, ambos respaldados politicamente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A escolha é considerada delicada porque qualquer exclusão poderá provocar desgaste interno e comprometer a estratégia da legenda para a Câmara dos Deputados.

A preocupação não é apenas política, mas também eleitoral. Lideranças do partido avaliam que, caso o candidato preterido recuse disputar uma vaga de deputado federal, o PL poderá perder força na composição da chapa proporcional e encontrar dificuldades para alcançar a meta de eleger três representantes para a Câmara.

O cenário também preocupa outras siglas. As mudanças nas regras de distribuição das cadeiras para deputado federal ampliaram as chances de partidos médios e pequenos conquistarem representação em Brasília, tornando a disputa ainda mais pulverizada. Com isso, legendas tradicionais como PL e Federação União Progressista poderão enfrentar um caminho mais difícil para repetir o desempenho das últimas eleições, enquanto partidos como PSDB, Republicanos e PT enxergam espaço para ampliar suas bancadas.

A menos de quatro meses das convenções, Mato Grosso do Sul já vive um ambiente de intensa articulação política. A definição dos palanques presidenciais, as disputas internas pelos cargos majoritários e o crescente controle da Justiça sobre a propaganda digital indicam que a campanha de 2026 deverá ser marcada não apenas pelo confronto nas urnas, mas também por uma intensa batalha nos bastidores e no ambiente virtual.

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