
A corrida eleitoral em Mato Grosso do Sul ganhou novos ingredientes nesta semana. Enquanto o Partido dos Trabalhadores trabalha para incluir o Estado na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha, decisões da Justiça Eleitoral endurecem as regras para o uso de inteligência artificial na propaganda política, e o Partido Liberal enfrenta um delicado impasse para definir quem disputará uma das duas vagas ao Senado.
No campo governista, o presidente estadual do PT e pré-candidato ao Senado, Vander Loubet, demonstra confiança de que Lula cumprirá agenda em Mato Grosso do Sul durante a campanha. A avaliação do deputado é de que o Estado ganhou importância estratégica pelo fato de o PT lançar um número reduzido de candidatos próprios aos governos estaduais, o que abriria espaço para maior participação do presidente nos palanques considerados prioritários.
Caso a visita se confirme, será o retorno de Lula ao Estado em uma campanha presidencial depois de mais de uma década. A última participação ativa ocorreu em 2014, quando esteve em Mato Grosso do Sul para reforçar a candidatura do então petista Delcídio do Amaral ao Governo do Estado. Desde então, o Estado ficou fora do roteiro das principais agendas presidenciais, reflexo também do reduzido peso eleitoral sul-mato-grossense no cenário nacional.
Enquanto o PT busca fortalecer sua estratégia eleitoral, a Justiça Eleitoral passou a impor limites mais rígidos ao uso de conteúdos produzidos por inteligência artificial. Em duas decisões distintas, magistrados determinaram a retirada dos episódios 3 e 4 da série "Os Intocáveis MS", divulgada pelo pré-candidato ao Governo João Henrique Catan. As decisões entenderam que os vídeos utilizavam recursos de IA sem a identificação obrigatória prevista na legislação eleitoral e continham conteúdo potencialmente desinformativo e ofensivo à honra de agentes públicos. A Justiça também proibiu novas divulgações semelhantes, sob pena de multa diária.
As decisões reforçam uma tendência que deve marcar a campanha de 2026: o aumento da fiscalização sobre materiais digitais produzidos com inteligência artificial, principalmente aqueles impulsionados nas redes sociais e capazes de alcançar centenas de milhares de visualizações em curto espaço de tempo.
Nos bastidores da oposição, a disputa mais sensível continua sendo a definição das candidaturas do PL ao Senado. Com uma vaga praticamente reservada ao ex-governador Reinaldo Azambuja, resta ao partido escolher apenas um entre Capitão Contar e o deputado federal Marcos Pollon, ambos respaldados politicamente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A escolha é considerada delicada porque qualquer exclusão poderá provocar desgaste interno e comprometer a estratégia da legenda para a Câmara dos Deputados.
A preocupação não é apenas política, mas também eleitoral. Lideranças do partido avaliam que, caso o candidato preterido recuse disputar uma vaga de deputado federal, o PL poderá perder força na composição da chapa proporcional e encontrar dificuldades para alcançar a meta de eleger três representantes para a Câmara.
O cenário também preocupa outras siglas. As mudanças nas regras de distribuição das cadeiras para deputado federal ampliaram as chances de partidos médios e pequenos conquistarem representação em Brasília, tornando a disputa ainda mais pulverizada. Com isso, legendas tradicionais como PL e Federação União Progressista poderão enfrentar um caminho mais difícil para repetir o desempenho das últimas eleições, enquanto partidos como PSDB, Republicanos e PT enxergam espaço para ampliar suas bancadas.
A menos de quatro meses das convenções, Mato Grosso do Sul já vive um ambiente de intensa articulação política. A definição dos palanques presidenciais, as disputas internas pelos cargos majoritários e o crescente controle da Justiça sobre a propaganda digital indicam que a campanha de 2026 deverá ser marcada não apenas pelo confronto nas urnas, mas também por uma intensa batalha nos bastidores e no ambiente virtual.